Tarcísio entra em campo por Flávio e começa a desenhar ofensiva para o segundo turno

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Reeleito com mais de 62% dos votos em São Paulo, governador foi a Brasília nesta segunda-feira para discutir diretamente a estratégia de Flávio Bolsonaro. Plano envolve viagens pelo país, estrutura de campanha, comunicação e articulação para ampliar a aliança partidária no segundo turno.

Menos de 24 horas depois de garantir sua reeleição em São Paulo, Tarcísio de Freitas já mudou de campanha.

A eleição estadual terminou para ele no domingo. Nesta segunda-feira, 5 de outubro, o governador iniciou sua participação efetiva na tentativa de eleger Flávio Bolsonaro presidente da República.

Tarcísio foi a Brasília para se reunir com Flávio e integrantes da campanha presidencial. O encontro está previsto para acontecer ainda nesta segunda no quartel-general do candidato do PL e deverá definir como o governador paulista participará das três semanas decisivas até o segundo turno de 25 de outubro.

Não se trata apenas de uma fotografia de apoio.

A intenção discutida nos bastidores é colocar parte da estrutura política construída por Tarcísio a serviço da campanha presidencial.

Tarcísio quer entrar na campanha

Antes mesmo do primeiro turno, o governador já havia deixado claro que, caso Flávio avançasse, pretendia participar da segunda etapa da disputa não apenas em São Paulo, mas também fora do estado.

Agora, com a própria eleição resolvida, Tarcísio ganhou uma liberdade que não tinha durante o primeiro turno.

Não precisa mais dividir sua agenda entre a campanha estadual e a presidencial.

Pode concentrar capital político, tempo e estrutura na disputa pelo Palácio do Planalto.

Entre os pontos que devem ser discutidos com Flávio estão a organização de agendas conjuntas pelo país, a definição das regiões prioritárias para viagens, a participação de Tarcísio em eventos de campanha e a coordenação política com outros aliados da direita.

Existe também a possibilidade de integrantes da equipe que trabalhou na campanha paulista passarem a colaborar diretamente com Flávio.

A estrutura de comunicação e produção de conteúdo é uma das áreas que podem receber reforço.

Ou seja, Tarcísio não oferece apenas o próprio nome.

Oferece uma campanha que acabou de vencer.

São Paulo vira o principal ativo

A posição de Tarcísio é especialmente importante por causa do resultado paulista.

Com 100% das urnas apuradas, o governador foi reeleito com 62,65% dos votos válidos, chegando a aproximadamente 14,5 milhões de votos.

Na eleição presidencial, Flávio Bolsonaro também venceu no maior colégio eleitoral do país, alcançando 51,93% em São Paulo, contra 38,20% de Lula.

É uma vantagem importante.

Mas o segundo turno muda a matemática.

A campanha de Flávio não precisa apenas conservar essa diferença. Quanto maior for sua vantagem paulista, maior será a pressão colocada sobre Lula para compensá-la em outras regiões, principalmente no Nordeste.

Por isso, São Paulo pode funcionar como uma espécie de reserva de votos para Flávio.

E Tarcísio será o principal responsável por tentar ampliá-la.

Sua participação permite reunir governador, prefeitos, parlamentares, lideranças empresariais e estruturas partidárias que passaram os últimos meses trabalhando prioritariamente para a eleição estadual.

Agora essa máquina pode ser redirecionada.

A missão não termina em São Paulo

Talvez essa seja a parte mais importante da movimentação desta segunda-feira.

Tarcísio não está sendo preparado apenas para pedir votos dentro do próprio estado.

A campanha discute sua participação em viagens com Flávio para outras regiões do Brasil. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, também pode participar de parte dessas agendas.

Isso revela uma função política maior.

Tarcísio tornou-se um dos poucos nomes da direita capazes de circular simultaneamente entre o eleitorado bolsonarista, setores empresariais, prefeitos, governadores e dirigentes partidários do centro.

Flávio possui o sobrenome Bolsonaro.

Tarcísio possui outra coisa que interessa muito neste momento: pontes.

E são exatamente essas pontes que começam a ser disputadas.

Republicanos entra no radar

Uma das primeiras missões políticas do governador está dentro de sua própria legenda.

O Republicanos adotou posição nacional de neutralidade no primeiro turno, apesar de Tarcísio apoiar Flávio.

O governador já vinha conversando com o presidente nacional do partido, Marcos Pereira, para tentar levar a legenda para o campo de Flávio em um eventual segundo turno. A segunda etapa chegou e essa articulação ganha agora peso concreto.

Não é uma negociação simples.

O Republicanos abriga Tarcísio, um dos principais nomes da direita brasileira, mas também abriga o presidente da Câmara, Hugo Motta, que manteve proximidade política com Lula e apoiou o petista na Paraíba.

Por isso, uma adesão formal da legenda seria mais do que mais uma sigla na lista de Flávio.

Seria uma demonstração de que Tarcísio consegue transformar sua força eleitoral em influência partidária nacional.

E essa capacidade será observada de perto.

A vitória de domingo mudou o tamanho de Tarcísio

Há ainda um elemento impossível de ignorar.

Tarcísio não chega ao segundo turno presidencial do mesmo tamanho político que tinha no sábado.

Saiu das urnas reeleito no primeiro turno no maior estado do país, com mais de 62% dos votos, derrotando Fernando Haddad por uma diferença superior a 26 pontos percentuais.

Isso modifica sua posição dentro da própria direita.

Durante boa parte do ciclo eleitoral, Tarcísio foi tratado como uma alternativa presidencial possível. Decidiu disputar a reeleição em São Paulo e apoiou Flávio.

Agora pode desempenhar um papel diferente.

Se ajudar decisivamente na vitória do candidato do PL, fortalece sua posição como um dos principais fiadores políticos de um eventual novo governo.

Se demonstrar capacidade de levar partidos, prefeitos e eleitores para Flávio, deixa de ser apenas governador de São Paulo e passa a atuar como articulador nacional do campo conservador.

De apoio a operação política

Na noite da vitória, Tarcísio já havia deixado pouca margem para dúvida sobre qual seria sua prioridade depois de resolver a eleição paulista.

Disse que a missão eleitoral de 2026 somente estaria concluída com a eleição de Flávio Bolsonaro para a Presidência.

Nesta segunda-feira, a declaração começou a ganhar estrutura.

Brasília.

Reunião com Flávio.

Planejamento de viagens.

Possível cessão de integrantes da campanha.

Mobilização paulista.

Conversas partidárias.

Pressão sobre o Republicanos.

É cedo para saber quanto dessa operação será capaz de acrescentar votos ao candidato do PL.

Mas uma coisa já está definida.

Flávio Bolsonaro começou o segundo turno com Tarcísio de Freitas não apenas como cabo eleitoral, mas como uma das peças centrais de sua estratégia para chegar ao Planalto.

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