Terreno de senador valoriza 115 vezes após rodovia construída em sua gestão

Redação
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Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

Imóvel de Jaques Wagner valorizou 115 vezes após rodovia.

Um terreno pertencente ao senador Jaques Wagner (PT) na Bahia, com cerca de 51 mil metros quadrados, foi vendido por R$ 15 milhões após uma valorização de 11.400% em 25 anos. A área está localizada às margens da Via Metropolitana, uma rodovia que foi planejada e contratada durante o período em que Jaques Wagner governou o estado, entre 2007 e 2014. A transação, contudo, foi barrada em 25 de junho por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da nona fase da Operação Compliance Zero, que investiga supostas irregularidades ligadas ao Banco Master.

O imóvel em questão foi adquirido por Jaques Wagner em março de 2000, quando ele exercia o cargo de deputado federal, pelo valor de R$ 28 mil, o que equivale a aproximadamente R$ 130 mil em valores corrigidos pela inflação. A venda, que ocorreria por R$ 15 milhões, representa uma valorização de 115 vezes o preço original, já descontada a inflação do período. O terreno era uma fração de uma área maior pertencente à Traneves Patrimonial, empresa que tem entre seus sócios Alex Grangeon Trancoso Neves, também sócio e administrador da Lagoons Empreendimentos.

A Via Metropolitana, rodovia que impulsionou a valorização da região, foi concebida como um eixo de expansão para a Grande Salvador, ligando a capital a Camaçari e contornando Lauro de Freitas. Documentos oficiais da Bahia indicam que a via, de 11,2 quilômetros, estava em estudo desde 2011, ainda na gestão de Jaques Wagner. A viabilização da obra se deu por meio de um aditamento no contrato com a concessionária Bahia Norte, assinado por Jaques Wagner em setembro de 2014, que estendeu o prazo de concessão do sistema BA-093 de 25 para 30 anos. As obras físicas foram iniciadas em janeiro de 2015, já sob o governo de Rui Costa (PT), e concluídas em 2018, com um investimento de R$ 220 milhões.

O terreno, que até o ano passado mantinha uma mata preservada, está sendo preparado para abrigar um residencial de alto padrão, o Lagoons Empreendimentos, integrado a um novo centro de treinamento do Esporte Clube Bahia. Em entrevista à rádio Andaiá FM, Jaques Wagner minimizou a valorização do terreno, afirmando que perdeu uma parte da propriedade com a construção da rodovia e que abriu mão da indenização. A Lagoons Empreendimentos, por sua vez, declarou que a aquisição do terreno de Jaques Wagner em 2000 foi uma operação imobiliária regular, realizada décadas antes da concepção do projeto atual, e que todas as aquisições seguiram critérios de mercado e foram validadas por consultorias independentes.

Além do terreno, a decisão do STF também bloqueou a venda de um apartamento de Jaques Wagner em Salvador, avaliado em R$ 10 milhões, totalizando R$ 25 milhões em bens com a venda suspensa. Em sua última declaração à Justiça Eleitoral, em 2018, o senador informou possuir R$ 3,3 milhões em bens. Jaques Wagner foi intimado pela Polícia Federal a depor em agosto, em uma investigação que apura suspeitas de pagamentos do Banco Master, de Daniel Vorcaro, por meio da empresa de sua nora e de um apartamento em Salvador. A PF investiga se houve atuação parlamentar do senador em favor de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, o que Wagner nega. As investigações levaram o senador a deixar a liderança do governo Lula no Senado.

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