O Partido Liberal (PL) chegou à sua convenção nacional em Brasília, em 23 de julho de 2026, sem conseguir atrair parceiros para formar uma coligação eleitoral. Este cenário, embora não seja um fator determinante para o desempenho de candidaturas, como visto em 2018 com Geraldo Alckmin, revela um problema específico na estratégia do partido. A campanha do pré-candidato à presidência, Flávio Bolsonaro, tem enfrentado explícitas e constrangedoras negativas de adesão por parte da chamada direita profissional.
O problema central reside na percepção da direita profissional de que a campanha de Flávio Bolsonaro demonstra amadorismo. Essa avaliação é um obstáculo significativo para a formação de alianças, uma vez que os veteranos da política não se alinham com abordagens consideradas despreparadas. O próprio presidente do PL, Valdemar Costa Neto, um nome experiente no cenário político, teria apontado a falta de preparo na condução da pré-campanha.
A crítica central aponta que, enquanto o senador Flávio Bolsonaro e seus aliados podem ser eficazes em “lacrações” – termo que sugere a adoção de posturas firmes e muitas vezes polarizadoras em debates públicos –, eles demonstram inabilidade no jogo político tradicional. Essa falta de traquejo surpreende a equipe de Bolsonaro, que esperava uma adesão natural do centrão, baseada em identificação ideológica e na rejeição ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao ex-presidente Luiz Inácio da Silva.
A campanha de Flávio Bolsonaro parece ter subestimado a complexidade do campo da direita, tratando-o como um “fava contada” que se submeteria facilmente. Ignorou-se que os partidos do centrão, descritos como “cobras criadas” na política, possuem um histórico de pragmatismo, tendo apoiado Lula em governos anteriores e ainda ocupando ministérios na gestão atual. Esses grupos políticos são conhecidos por sua capacidade de detectar “tempestades” e se posicionar estrategicamente, buscando sempre a melhor oferta no “mercado futuro” da política.
A recusa em apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro pode se estender além do primeiro turno, com a possibilidade de o centrão manter uma postura de inação no segundo turno, caso a situação não se mostre favorável. A direita profissional, por sua vez, parece preferir investir na eleição de um Parlamento robusto, capaz de atuar como contraponto a um eventual governo Lula reeleito, mas sem a perspectiva de continuidade no poder. Para os postulantes à presidência em 2030, essa estratégia representa uma oportunidade de se desvencilhar das “trapalhadas da família”, cujo “teatro da vulgaridade” não é visto como sustentável a longo prazo.