O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira (23) que qualquer dano causado a embarcações, cargas ou bens relacionados ao transporte marítimo será custeado por recursos iranianos sob controle do governo americano. A afirmação, divulgada na rede social Truth Social, surge em um cenário de crescente tensão no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o comércio global de petróleo.
A medida anunciada por Trump se insere em um contexto de escalada de retóricas e ameaças mútuas entre os Estados Unidos e o Irã. Apenas um dia antes, na quarta-feira (22), o ex-presidente havia advertido que os EUA atacariam infraestruturas iranianas, como pontes ou usinas elétricas, caso embarcações fossem alvo de ataques no Estreito de Ormuz, utilizando mísseis, foguetes, drones ou outras armas.
Em sua publicação na Truth Social, Donald Trump foi explícito ao declarar: “Que esta declaração sirva para informar que, até novo aviso, a partir deste momento, todo e qualquer dano causado a navios, cargas ou qualquer coisa relacionada a eles será pago com recursos iranianos que estão em posse dos Estados Unidos e sob seu controle”. Ele complementou que os prejuízos “podem ser muito substanciais”, mas que a ação seria “a medida justa e equitativa a ser adotada”.
Contudo, a declaração de Trump não forneceu detalhes sobre quais ativos iranianos seriam especificamente utilizados para tais pagamentos, nem explicou os mecanismos jurídicos que permitiriam aos Estados Unidos efetuar essas compensações. Em resposta às ameaças anteriores de Trump, a Guarda Revolucionária do Irã havia afirmado que cortaria o fornecimento de energia de aliados americanos no Oriente Médio caso as usinas iranianas fossem bombardeadas.
O comando militar iraniano também intensificou as ameaças, indicando que poderia interromper o fluxo de petróleo no Golfo Pérsico e atacar infraestruturas energéticas e econômicas de países da região. Paralelamente, na mesma quarta-feira (22), o grupo extremista Houthi, do Iêmen e apoiado pelo Irã, reivindicou ataques a dois petroleiros da Arábia Saudita no Mar Vermelho, justificando a ação como resposta a um bloqueio naval imposto pelos rebeldes. O governo saudita confirmou um ataque a um petroleiro, embora a agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) não tenha atribuído oficialmente a autoria da ação.