Pesquisa Datafolha aponta vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno

Redação
Colunista
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Foto: Ricardo Stuckert e Raul Spinassé/Divulgação

Presidente mantém liderança em cenário estável, apesar de crises na campanha do senador

Uma nova pesquisa Datafolha, divulgada em 24 de julho de 2026, com dados coletados entre os dias 22 e 23 do mesmo mês em 139 municípios, revela que o presidente Lula (PT) mantém uma vantagem significativa sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno. O levantamento aponta que Lula alcança 48% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 43%. Este cenário de disputa pela Presidência da República demonstra estabilidade em comparação com os resultados aferidos em junho, indicando um baixo impacto das recentes crises políticas na campanha do senador pelo Rio de Janeiro.

No primeiro turno, o petista marca 40% das intenções de voto, contra 32% do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso por golpe de Estado. Embora os números sejam semelhantes aos da rodada anterior, uma comparação direta não é possível devido à alteração na ficha de pré-candidatos, que agora inclui 12 nomes. Em votos válidos, que excluem brancos e nulos e são a forma de contagem no dia da eleição, Lula aparece com 45% e Flávio Bolsonaro com 36%. Contudo, é importante notar que os 8% de nulos/brancos/ninguém tendem a diminuir à medida que o pleito se aproxima, sendo necessários 50% mais um voto para a vitória.

O pelotão inferior da disputa do primeiro turno permanece embolado dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Entre os nomes testados, Ronaldo Caiado (PSD) alcança 4% dos votos totais, seguido por Romeu Zema (Novo) com 3%, Renan Santos (Missão) com 3%, e Augusto Cury (Avante) com 2%. Outros candidatos como Samara Martins (UP), Cabo Daciolo (Mobiliza) e Rui Costa Pimenta (PCO) pontuam 1% cada. Não foram registrados pontos para Heitor Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB) e Leonardo Avalanche (PRTB), enquanto 3% dos eleitores se declararam indecisos. A pesquisa ouviu 2.004 eleitores em 139 municípios e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01166/2026.

A consolidação de Flávio Bolsonaro como principal adversário de Lula também é visível nas menções espontâneas, onde 30% dos entrevistados citam o presidente, e 17% lembram do senador. Este cenário, no entanto, mostra estabilidade para Flávio Bolsonaro desde maio. A pesquisa também testou Lula contra outros rivais em cenários de segundo turno, onde o presidente venceria Ronaldo Caiado por 47% a 40% e Romeu Zema por 48% a 40%, mantendo a estabilidade em relação a junho. A rejeição aos candidatos também se mantém estável, com 48% dos eleitores afirmando não votar de forma alguma em Flávio Bolsonaro e 46% em Lula, enquanto os demais candidatos apresentam níveis inferiores a 13%.

O levantamento do Datafolha também aferiu o impacto de uma série de crises que abalaram a campanha de Flávio Bolsonaro. Após estancar o efeito inicial da revelação de suas relações com o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse” sobre Jair Bolsonaro, o senador enfrentou novas turbulências. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro divulgou um vídeo criticando duramente o enteado, acusando-o de maus-tratos e de considerá-la dispensável, o que a levou a deixar a chefia do PL Mulher e a colocar em xeque sua candidatura ao Senado. A reação inicial de Flávio Bolsonaro, negando tratar mal mulheres, foi considerada um erro tático, especialmente porque 50% das mulheres, que representam 52% da amostra, preferem Lula em um segundo turno, contra 40% para o senador. Apesar de uma retratação e aceitação das desculpas por Michelle Bolsonaro, o efeito prático na campanha é incerto, e o isolamento resultante dificultou a montagem da chapa do senador.

Além das questões internas, a campanha de Flávio Bolsonaro foi impactada pela volta do “tarifaço” de Donald Trump contra o Brasil, uma prática historicamente associada ao clã Bolsonaro. No ano anterior, a família teria atuado ativamente a favor de medidas punitivas, acreditando que isso pressionaria o Supremo Tribunal Federal a não condenar o ex-presidente. Essa estratégia não se concretizou, e Lula capitalizou sobre o tema, promovendo uma campanha pela soberania nacional que ressurge como pauta eleitoral. Embora Flávio Bolsonaro tenha tentado se posicionar contra o tarifaço, alegando que ele beneficiaria seu rival, a situação se somou aos desafios. Os pesquisadores do Datafolha estiveram nas ruas no dia seguinte à fala de Flávio Bolsonaro a diplomatas estrangeiros, na qual ele divulgou informações falsas sobre as urnas eletrônicas, emulando a prática que resultou na inelegibilidade de seu pai.

Do ponto de vista do perfil do eleitorado, não houve mudanças significativas nos grandes grupos socioeconômicos. Lula mantém a preferência entre nordestinos (55% do grupo, que soma 28% da população), eleitores com menor instrução (51% do grupo, que soma 30% da amostra), os mais pobres (47% entre 50% dos ouvidos) e católicos (46% entre 49% dos brasileiros). Já Flávio Bolsonaro apresenta melhor desempenho na classe média que ganha de dois a cinco salários mínimos (38% entre 34% dos brasileiros), entre sulistas (41% do grupo, que soma 15% da amostra) e evangélicos (47% entre os 25% que se declaram assim).

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