A Federação Internacional de Futebol (Fifa) encontra-se sob intensa pressão devido a um plano que visa vender uma participação minoritária dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. A proposta, que prevê a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), pode movimentar cerca de US$ 20 bilhões, o equivalente a R$ 102 bilhões. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, está no centro das discussões, com questionamentos crescentes sobre seus vínculos com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à controvérsia.
O projeto da FFE envolve a comercialização dos direitos por meio do fundo Thrive Eternal, caso a nova subsidiária seja aprovada pelas federações. O controle do fundo está nas mãos de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, que atuou como genro de Donald Trump e enviado especial para a paz durante seu governo. Essa conexão familiar e política tem alimentado a rejeição pública à proposta, que já desencadeou uma forte reação da União das Associações Europeias de Futebol (Uefa), a principal entidade do futebol europeu.
Em resposta à iniciativa da Fifa, a Uefa e suas 55 federações nacionais decidiram boicotar competições organizadas pela entidade máxima do futebol mundial. A medida será mantida até que a ideia de privatização seja abandonada, o que poderia impactar torneios de grande relevância, como a Copa do Mundo Feminina de 2027. Apesar da oposição, Gianni Infantino afirmou que submeterá a criação da FFE a uma votação das federações, buscando legitimar o plano internamente.
A proximidade entre Gianni Infantino e Donald Trump tem sido notória, especialmente desde que o dirigente suíço-italiano entregou ao republicano o primeiro “Prêmio Fifa da Paz”, criado pela entidade em dezembro de 2025. Essa relação foi alvo de críticas do deputado democrata Jamie Raskin, que defendeu a convocação de Donald Trump a uma comissão do Congresso dos Estados Unidos. Raskin solicitou explicações sobre as ligações de Trump com Infantino e com o negócio, classificando a possível operação como parte de uma “tríplice coroa” de supostos esquemas de propina, que incluiriam o “falso Prêmio da Paz” e um “contrato de locação gigantesco na Trump Tower”. Os laços entre Trump e a família Kushner também foram evidenciados pelo perdão concedido a Charles Kushner, pai de Jared e Joshua, e sua posterior nomeação como embaixador dos Estados Unidos na França.
Enquanto a controvérsia se desenrola, os planos futuros de Gianni Infantino parecem focar na sua reeleição para a presidência da Fifa em 2027. Essa perspectiva contrasta com uma reportagem do New York Post de 21 de janeiro, que indicava o desejo de Donald Trump de ver Infantino na disputa pelo comando da Organização das Nações Unidas (ONU), cujo atual secretário-geral, António Guterres, encerra seu mandato no final de 2026. A decisão sobre a FFE e o futuro dos direitos comerciais da Copa do Mundo permanece pendente, aguardando a votação das federações e as repercussões das investigações políticas.