O Partido Republicano (GOP) enfrenta uma crescente preocupação com a falta de entusiasmo de sua base eleitoral, um fator crítico para as eleições de meio de mandato de 2026. Essa apreensão é intensificada pela percepção de que o ex-presidente Donald Trump está mais impopular do que nunca, e seus apoiadores mais fiéis demonstram sinais de desilusão. Uma nova pesquisa da CNN evidencia o problema, revelando que grandes parcelas da base de Trump se sentem insatisfeitas com várias de suas decisões recentes.
Historicamente, os eleitores que compõem a base de Trump já eram menos propensos a comparecer às urnas em pleitos que não contavam com a presença do ex-presidente. O cenário atual agrava essa tendência, com a desaprovação de Trump atingindo níveis significativos. A pesquisa da CNN aprofunda essa questão, mostrando que, em uma série de perguntas sobre temas variados, desde a economia e a guerra no Irã até o enriquecimento pessoal de Trump e seus esforços para reformular Washington, grandes porcentagens de republicanos e independentes simpáticos ao partido expressam descontentamento, com índices que frequentemente chegam a 30%, 40% ou mais.
Sem dúvida, os números mais preocupantes para Donald Trump e o Partido Republicano dizem respeito à economia. Este não é apenas o principal foco de preocupação dos eleitores em geral, mas também a área em que Trump apresenta seus piores índices de aprovação. Entre republicanos e independentes simpáticos ao partido, 64% relatam dificuldades “moderadas” devido aos preços elevados dos combustíveis; 56% consideram a economia em situação muito ruim ou um tanto ruim; 56% afirmam que Trump não fez o suficiente para reduzir os preços de produtos do dia a dia; e 56% desaprovam sua atuação em relação aos preços dos combustíveis. Além disso, 51% dizem que Trump não tem um plano claro para os preços dos combustíveis, e 47% desaprovam sua gestão da inflação, indicando que cerca de metade de seus próprios apoiadores têm muitas queixas econômicas.
Outras áreas também contribuem para o mal-estar. Em relação ao Irã, 64% da base de Trump acredita que uma guerra de longo prazo é provável, e 45% questionam se o custo da guerra, em vidas e dinheiro, valeu a pena. A desaprovação de Trump sobre o Irã subiu de 30% em março para 40% atualmente entre esses grupos. A pesquisa também revela descontentamento com as prioridades de Trump: 45% dizem que ele não está “em sintonia com os problemas que os americanos comuns enfrentam”, e 30% afirmam que ele não coloca o bem do país acima de seu ganho pessoal, citando exemplos como o salão de baile da Casa Branca e o espelho d’água do Memorial Lincoln.
Esse cenário de desilusão se reflete em uma queda significativa no entusiasmo da base. Nos primeiros meses do retorno de Donald Trump ao cargo, quase nove em cada dez republicanos e independentes simpáticos ao partido se diziam “entusiasmados” ou “otimistas” com o restante do segundo mandato. Atualmente, esse número caiu para 70%, e 30% expressam pessimismo ou medo. Essa parcela de 30% com uma perspectiva negativa é bastante significativa, contrastando com os 8% de democratas pessimistas após a reeleição de Barack Obama em 2012 e os 5% de republicanos antes da reeleição de George W. Bush em 2004. Sinais desse mal-estar já eram observados desde o ano passado, com a saga de Jeffrey Epstein, e agora se disseminaram por amplos segmentos do Partido Republicano, em um momento inoportuno para a legenda.