PF analisa mensagens de Fábio Faria sobre venda de projeto ao Banco Master

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

O ex-ministro das Comunicações Fábio Faria foi citado em documentos e mensagens reunidos pela Polícia Federal (PF) por ter articulado contatos e vendido um projeto eólico de R$ 67,5 milhões associado ao Banco Master. A relação entre Faria e o ex-CEO da instituição financeira, Daniel Vorcaro, teria se aproximado após um encontro ocorrido em Paris, em outubro de 2023, durante evento do Esfera Brasil.

O empreendimento envolvido é a Fazenda São Pedro Geradora de Energia, localizada no município de Galinhos (RN), com previsão para usina eólica de 240 megawatts. O projeto encontra-se em estágio inicial, conhecido como greenfield. Segundo a revista Piauí, a negociação estabeleceu um valuation de R$ 75 milhões para o ativo. Contudo, três especialistas consultados pela publicação avaliaram o projeto em cerca de R$ 13 milhões em um cenário otimista. Faria declarou que o ativo possuía esse valor e sustentou ter utilizado um estudo da consultoria KPMG para fundamentar o preço. Em contrapartida, a KPMG informou que não realizou avaliação financeira do projeto e que participou apenas de conversas teóricas sobre o setor de energia eólica.

De acordo com a reportagem, a transação incluiu a entrega de um apartamento de 800 metros quadrados no bairro Jardim América, em São Paulo, avaliado em R$ 50 milhões, além do repasse direto de R$ 17,5 milhões. Semanas após receber o imóvel, o ex-ministro o revendeu ao empresário João Camargo por R$ 54 milhões, alegando que o acréscimo se deveu ao parcelamento do pagamento.

Conversas divulgadas pelo site Fatos Online indicam que Faria mencionou ter convidado autoridades públicas para encontros com o banqueiro, incluindo o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e os senadores Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre. Pacheco negou ter participado de reuniões com Vorcaro, informando que presidia uma sessão no Senado na data referida, enquanto Alcolumbre não respondeu aos questionamentos. Documentos citados pela Piauí também apontam registros de viagens de Faria para Londres, Nova York e Lisboa em 2024 custeadas por Vorcaro, incluindo uma fatura de US$ 27,5 mil referente a diárias no hotel Park Hyatt, em Nova York.

Em resposta à reportagem, Fábio Faria negou qualquer vínculo comercial com o banco: “Eu tenho zero de relação com Master. Nunca vendi nada para o Master. Tenho nada com o Master.” Um agente federal ouvido pela revista esclareceu que a corporação avalia se houve auxílio na articulação junto a agentes públicos, ressaltando que, no momento, não existe investigação formal aberta nem indicativo de crime contra o ex-ministro. A assessoria de Faria não respondeu aos contatos sobre sua atuação.

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