Aos 68 anos e estreante em disputas nas urnas, o médico e escritor Augusto Cury (Avante) alcançou a terceira colocação nas intenções de voto para a Presidência da República, posicionando-se como o nome mais competitivo fora da polarização entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Conforme levantamento do Datafolha divulgado na quinta-feira (3), Cury registrou 8% das intenções de voto, acumulando alta de seis pontos em relação a agosto. Na pesquisa Quaest publicada na quarta-feira (2), o candidato atingiu 10%, ante 2% apurados no levantamento anterior. O avanço coincide com a elevação de seu Índice de Popularidade Digital (IPD), medido pela Quaest, que passou de 37,8 para 54,5 pontos.
O crescimento repentino nas plataformas digitais gerou questionamentos de campanhas adversárias. O candidato nega qualquer irregularidade e atribui a evolução ao interesse espontâneo de seus apoiadores. De acordo com os registros da Justiça Eleitoral, não constam processos sobre o tema no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Em ato de campanha realizado na sexta-feira (4), no interior de São Paulo, o postulante demonstrou confiança na ida ao segundo turno. “Há margem para subir mais nas pesquisas. Já elegi meu adversário no segundo turno: Lula da Silva”, afirmou.
Entre as principais bandeiras apresentadas, Cury defende a extinção da reeleição no Executivo. “Um cargo não pertence a um homem, a um ser humano, nem a uma família. Nem à família Bolsonaro, nem à família Lula da Silva. Todo cargo público pertence a quem? Ao contribuinte, ele é o patrão”, declarou.
Trajetória e aproximação com o poder público
A incursão de Cury na política nacional teve um primeiro ensaio em 2009, quando esteve filiado ao Partido Verde (PV). Segundo o presidente da legenda, José Luiz Penna, o partido buscava um nome de visibilidade para disputar o Palácio do Planalto, mas o projeto não avançou após o ingresso de Marina Silva na sigla, ocasião em que o escritor colaborou com diretrizes para a área de educação.
Na atual campanha, Cury articulou conversas com lideranças tradicionais, como o ex-presidente Michel Temer, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, e o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), antes de fechar com o Avante. A vaga de vice na chapa é ocupada pelo ex-deputado federal Júlio Delgado.
Negócios, patrimônio e saúde
À Justiça Eleitoral, Cury informou um patrimônio de R$ 242 milhões em bens, ações e aplicações. Levantamento da reportagem com dados da Receita Federal apontou 31 CNPJs de matrizes e filiais vinculados ao candidato ou a familiares, com 23 empresas ativas distribuídas por São Paulo, Minas Gerais e Piauí. Os ramos vão de educação e produção de conteúdo ao agronegócio e ao setor imobiliário.
No campo da saúde, a campanha propõe a ampliação da telemedicina no Sistema Único de Saúde (SUS). Questionado em entrevista sobre eventual conflito de interesses por ter atuado como sócio e embaixador da empresa de teleassistência Click Life até 2023, Cury refutou a hipótese, reiterou não manter mais vínculo com a companhia e defendeu que o modelo tecnológico reduz custos e alivia a demanda da rede pública.