Trump se aproxima de Putin, guerra ameaça o petróleo e Nobel da Paz provoca Washington: o resumão internacional

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Uma semana de decisões inesperadas, conflitos e disputas diplomáticas. Dos Estados Unidos à China, passando pelo Oriente Médio e pela Europa, confira o que aconteceu entre 5 e 10 de outubro e o que pode movimentar o mundo nos próximos dias.

A política internacional terminou a semana com Donald Trump no centro de algumas das maiores controvérsias. O presidente americano negociou petróleo com a Rússia, anunciou uma pausa nos ataques ao Irã e ampliou o confronto com a Justiça internacional. Enquanto isso, a guerra se espalhou pelo Oriente Médio, a China negociou com a Europa e novas tensões surgiram na África.

TRUMP FECHA ACORDO COM PUTIN E IRRITA A UCRÂNIA

Na sexta-feira (9), Trump anunciou um acordo para comprar diesel russo e suspender temporariamente sanções contra o produto. O objetivo é reduzir os preços dos combustíveis americanos, pressionados pela guerra com o Irã, a menos de um mês das eleições legislativas dos Estados Unidos.

Volodimir Zelenski condenou a decisão, afirmando que as receitas poderão financiar a guerra russa. No sábado, Trump ainda criticou o presidente ucraniano e sugeriu que o país deveria escolher uma nova liderança. A tensão aumentou após bombardeios russos matarem civis em Zaporíjia.

TRUMP PROMETE NÃO ATACAR O IRÃ ANTES DAS ELEIÇÕES AMERICANAS

Na quinta-feira (8), Trump afirmou que não retomará os ataques americanos ao Irã antes das eleições legislativas de 3 de novembro. Washington e Teerã mantêm negociações para tentar encerrar o conflito iniciado em fevereiro, mas continuam separados por divergências sobre o programa nuclear iraniano e a reabertura do Estreito de Ormuz.

O bloqueio da importante rota marítima pressiona o petróleo internacional e encarece os combustíveis. A guerra tornou-se também um problema doméstico para Trump, que enfrenta críticas pelos custos econômicos e humanos do conflito.

ATAQUE NA ARÁBIA SAUDITA DEIXA 12 MORTOS E AMPLIA A GUERRA

No sábado (10), um ataque ao principal aeroporto de Riade deixou pelo menos 12 mortos e 309 feridos. Rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, assumiram a autoria. Foi o terceiro ataque ao terminal durante a semana.

A Arábia Saudita promete reagir, e Trump admite a possibilidade de participação americana em operações contra os houthis. A escalada ameaça rotas comerciais e amplia a instabilidade de uma região essencial para o abastecimento energético mundial.

GAZA COMPLETA UM ANO DE CESSAR-FOGO, MAS A PAZ CONTINUA DISTANTE

O acordo mediado pelos Estados Unidos em outubro de 2025 completou um ano neste sábado sem cumprir suas principais promessas. Embora os reféns israelenses tenham sido libertados e grandes operações militares interrompidas, Israel continua realizando ataques em Gaza.

Segundo autoridades de saúde palestinas, mais de 1.400 pessoas morreram desde a trégua. A retirada israelense, o desarmamento do Hamas e a reconstrução do território permanecem sem solução. Israel terá eleições em 27 de outubro, com o futuro político de Benjamin Netanyahu em discussão.

NOBEL DA PAZ VAI PARA JURISTA QUE ENFRENTOU CRIMES DE GUERRA

A sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, venceu o Nobel da Paz por sua atuação em defesa dos direitos humanos e da Justiça internacional. Ex-integrante do Tribunal Penal Internacional, ela também liderou uma investigação da ONU que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza, acusação rejeitada pelo governo israelense.

Horas depois do anúncio, Trump ampliou as sanções americanas contra o Tribunal Penal Internacional, restringindo suas operações financeiras e tecnológicas. A coincidência expôs o confronto entre Washington e instituições responsáveis por investigar crimes internacionais.

CHINA E UNIÃO EUROPEIA AVANÇAM EM ACORDO COMERCIAL

Depois de dois dias de negociações em Pequim, China e União Europeia anunciaram um entendimento preliminar para reduzir tensões comerciais. O acordo prevê limitar a expansão das exportações chinesas de veículos híbridos e facilitar o acesso europeu a terras raras e outros produtos estratégicos.

A Europa acumula um déficit comercial de aproximadamente €1 bilhão por dia com a China. O entendimento ainda precisa de aprovação dos países europeus, mas revela a preocupação com a concorrência chinesa e a preservação de empregos industriais.

TAIWAN RESPONDE À PRESSÃO MILITAR CHINESA

No sábado, durante as comemorações nacionais de Taiwan, o presidente Lai Ching-te afirmou que a ilha deseja a paz, mas não abrirá mão de sua liberdade. Também defendeu o fortalecimento das Forças Armadas diante da crescente pressão militar de Pequim.

A China considera Taiwan parte de seu território e não descarta o uso da força para promover a reunificação. O conflito permanece como um dos principais focos de tensão entre Pequim e Washington.

DIREITA RADICAL AVANÇA NA ALEMANHA E PREOCUPA PARTIDOS TRADICIONAIS

O partido Alternativa para a Alemanha (AfD) conseguiu, nesta semana, ocupar pela primeira vez a presidência de um parlamento regional, na Saxônia-Anhalt, com votos que aparentemente vieram também de outras legendas.

O episódio colocou em dúvida a resistência dos partidos tradicionais em cooperar com a sigla. A AfD defende restrições à imigração e a retomada das relações energéticas com a Rússia. O chanceler Friedrich Merz enfrenta pressão para preservar o isolamento político do partido.

ETIÓPIA E ERITREIA SE APROXIMAM DE NOVO CONFLITO

No sábado, Etiópia e Eritreia trocaram acusações sobre uma suposta incursão militar na região de Tigré. O governo etíope afirmou agir em legítima defesa, enquanto a Eritreia negou a invasão e pediu intervenção do Conselho de Segurança da ONU.

A tensão ameaça reacender um conflito em uma região que já sofreu uma guerra devastadora entre 2020 e 2022, com centenas de milhares de mortes.

O QUE OBSERVAR NA PRÓXIMA SEMANA

Três assuntos merecem atenção especial: as negociações entre Estados Unidos e Irã, que podem afetar diretamente o preço mundial do petróleo; a reação europeia ao acordo de Trump com Putin; e a reunião de líderes da União Europeia na quinta-feira (15), quando as relações comerciais com a China voltarão à pauta.

O mundo encerra a semana com governos tentando conter os impactos econômicos de guerras que continuam longe de uma solução. Para o Brasil, os desdobramentos mais imediatos estão no petróleo, no comércio internacional e nas decisões das grandes potências que podem influenciar a economia muito além de suas fronteiras.

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