Flávio Bolsonaro deixa o Brasil rumo aos EUA, afirmam fontes próximas à família; PF apura possível fuga

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Senador teria embarcado em voo internacional um dia após ser proibido de deixar o país por Alexandre de Moraes. Flávio não entregou os passaportes no prazo judicial, e novas informações contradizem as negativas apresentadas por aliados durante a manhã.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil nesta terça-feira (27) com destino aos Estados Unidos, dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva. A informação foi divulgada às 13h41, com base em relatos de pessoas próximas à família Bolsonaro, que afirmaram que o parlamentar já estava em um avião em pleno voo.

A nova informação surge depois de uma manhã marcada por especulações sobre uma possível fuga pela fronteira argentina, negativas de aliados e diligências da Polícia Federal para esclarecer o paradeiro do senador.

Apesar do relato de pessoas próximas à família, ainda não foram apresentados publicamente documentos de embarque ou registros migratórios que confirmem a saída. Também não há identificação comprovada da aeronave em que Flávio estaria viajando.

A última mensagem antes do desaparecimento

Segundo as informações divulgadas nesta tarde, Flávio deixou de responder aos contatos de seus interlocutores durante a manhã.

A última mensagem conhecida teria sido enviada por volta das 8h ao senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou sua campanha presidencial.

Na conversa, Flávio afirmou que estava “esfriando a cabeça”, mas não respondeu se havia deixado o Brasil.

O episódio contrasta com as declarações apresentadas por Marinho horas antes.

Durante a manhã, o coordenador da campanha negou que Flávio tivesse saído do território brasileiro.

Outros integrantes do círculo político do senador também afirmaram desconhecer seu paradeiro ou relataram dificuldades para estabelecer contato.

A nova informação sobre o voo internacional ainda não foi esclarecida publicamente pelo próprio Flávio.

Passaportes não foram entregues

A possível viagem acontece em meio a uma decisão judicial que proíbe expressamente Flávio Bolsonaro de deixar o Brasil.

Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a entrega dos passaportes comum e diplomático do senador à Polícia Federal.

O prazo de 24 horas terminou às 11h desta terça-feira sem que os documentos fossem apresentados.

A Polícia Federal também providenciou o cancelamento dos passaportes brasileiros do parlamentar em seus sistemas.

A decisão integra uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo o advogado Willer Tomaz.

Flávio e o advogado negam irregularidades.

Ao receber a intimação, o senador criticou a determinação judicial, classificou a medida como intimidação e afirmou que nunca havia considerado deixar o país.

Também declarou que entregaria os documentos e se defenderia das acusações.

Caso seja comprovado que ele deixou o território brasileiro depois de tomar conhecimento da proibição, o episódio poderá ser analisado pelo Supremo como possível descumprimento de medida cautelar.

A suspeita de passagem pela Argentina

A controvérsia começou durante a madrugada, quando surgiram informações de que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina utilizando um documento de identidade.

O plano relatado envolvia uma viagem até Puerto Iguazú, onde um avião particular o transportaria para os Estados Unidos.

A aeronave mencionada era um Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, pertencente à empresa argentina Baires Fly.

Entretanto, os registros públicos de rastreamento não confirmaram a decolagem internacional inicialmente anunciada.

O governo argentino também negou oficialmente que houvesse registro de entrada de Flávio em seu território.

A Direção Nacional de Migrações informou que havia verificado a documentação da aeronave e que não foi apresentado nenhum plano de voo envolvendo integrantes da família Bolsonaro.

A informação divulgada nesta tarde, segundo a qual Flávio estaria em um avião rumo aos Estados Unidos, não esclarece se a suposta viagem ocorreu pela Argentina ou por outra rota.

A Polícia Federal busca respostas

A Polícia Federal iniciou consultas a registros de fronteira e procurou autoridades argentinas para verificar a existência de deslocamentos internacionais relacionados ao senador.

Até as primeiras verificações, não havia sido identificado registro de saída regular de Flávio pelos postos migratórios brasileiros.

Esse dado, isoladamente, não comprova uma travessia clandestina.

A eventual confirmação da viagem exigirá esclarecer o local de partida, a documentação utilizada, o meio de transporte e as circunstâncias em que o parlamentar teria deixado o Brasil.

Uma crise que ultrapassa a derrota eleitoral

A situação representa um novo desafio político e jurídico para Flávio Bolsonaro.

Derrotado no segundo turno presidencial de domingo, o senador havia anunciado a intenção de liderar a oposição ao próximo mandato de Lula.

A possibilidade de uma saída internacional em desrespeito a uma determinação judicial, caso comprovada, acrescentaria uma dimensão inédita à reorganização política do PL.

Por enquanto, existem relatos de pessoas próximas à família afirmando que Flávio está a caminho dos Estados Unidos, uma ordem judicial de proibição de saída, o prazo de entrega dos passaportes descumprido e verificações em andamento pelas autoridades.

Falta, porém, a confirmação independente sobre a viagem e suas circunstâncias.

A pergunta central deixou de ser apenas onde está Flávio Bolsonaro.

Agora, o país aguarda saber se o senador efetivamente deixou o Brasil após ser proibido de viajar e quais serão as consequências jurídicas caso essa saída seja comprovada.

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