Em uma disputa de segundo turno, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi eleito para um quarto mandato na Presidência da República ao derrotar Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com texto assinado por Jean-Philip Struck. Com 99,76% das urnas apuradas, o petista registrou 51,75% dos votos válidos, superando os 48,25% obtidos pelo senador do PL, que substituiu o ex-presidente Jair Bolsonaro no pleito.
A diferença entre os concorrentes foi de 3,5 pontos percentuais, após uma apuração na qual os dois candidatos se alternaram na liderança em diferentes momentos. Com a confirmação do resultado, Lula pode alcançar 16 anos na chefia do Poder Executivo, marca inferior apenas à de Getúlio Vargas, que somou 18 anos na história republicana. Foi também a primeira ocasião em que ocorreu uma virada de colocação em um segundo turno presidencial brasileiro.
Segundo o relato, o resultado assegura a manutenção da centro-esquerda no comando do país, após nações como Argentina, Chile, Colômbia e Peru terem elegido governantes de ultradireita nos últimos anos. Para o senador Flávio Bolsonaro, a derrota representa a perda de um mandato eletivo pela primeira vez desde 2003, depois de ter encerrado o primeiro turno na liderança da disputa.
A apuração do pleito enfrentou atrasos decorrentes de uma prorrogação de duas horas no horário de votação em âmbito nacional, determinada pelo Supremo Tribunal Federal logo após as 17h, sob justificativa de problemas no transporte público de eleitores. A medida gerou dúvidas em seções eleitorais e manifestações contrárias por parte de aliados bolsonaristas. O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) declarou: “Ou a gente ganha ou a gente ganha. Tá avisado”.
No primeiro turno, o petista havia tido uma perda de aproximadamente 3,4 milhões de votos em comparação com a etapa inicial de 2022 e ficado cerca de 2,2 milhões de votos atrás de Flávio Bolsonaro. Diante disso, a campanha reorganizou as ações com foco em atos de rua, presença digital com participação do deputado André Janones (Rede-MG) e divulgação de medidas econômicas, incluindo subsídios a combustíveis, ampliação do Pé-de-Meia para o ensino superior, desonerações e renegociação de dívidas.
Durante o debate na TV Globo, Lula declarou: “Ou a gente mantém a democracia funcionando, ou a gente vai ter um miliciano governando esse país dentro do Palácio do Planalto, o que não é bom para ninguém. Não faça essa experiência”. A campanha adotou como lema “O Brasil pronto pra mais”.
O texto ressalta que, ao se aproximar dos 81 anos, o petista deve renovar o recorde de presidente mais velho a assumir o cargo no país. O novo mandato, contudo, enfrentará um Congresso com ampliação das bancadas ligadas ao bolsonarismo após a composição definida na primeira rodada.