Brasil é o país mais afetado por nova política tarifária dos estados unidos

Redação
Colunista
4 leitura mínima
Créditos: Foto/Divulgação

Tarifa efetiva sobre produtos brasileiros atinge 17,7% após mudanças

O Brasil emergiu como o país mais impactado pela recente reformulação das tarifas de importação dos Estados Unidos, conforme uma análise publicada pelo Financial Times nesta sexta-feira (24). A medida, anunciada pelo presidente Donald Trump, resultou em um aumento significativo da tarifa efetiva aplicada aos produtos brasileiros, que saltou de 11% para 17,7%. Este ajuste tarifário posiciona o Brasil como o principal alvo das novas políticas comerciais americanas entre seus parceiros comerciais.

A reformulação das tarifas ocorreu após uma decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos no início deste ano, que considerou ilegais as amplas tarifas anunciadas por Trump em abril de 2025. Para contornar a decisão judicial e manter sua política comercial em vigor, o governo americano substituiu a tarifa global temporária de 10% por taxas específicas para cada país, baseadas na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Essa mudança estratégica visa dificultar contestações legais amplas, como apontado por especialistas.

O aumento de 6,7 pontos percentuais na tarifa efetiva para o Brasil foi o maior registrado entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos. Em contraste, países europeus como França, Reino Unido, Alemanha e Espanha observaram uma redução em suas alíquotas efetivas após a mudança na política tarifária americana. George Riddell, diretor da consultoria Goyder, explicou ao Financial Times que o novo desenho tarifário dificulta uma derrubada judicial abrangente, com decisões favoráveis a um país tendendo a não afetar automaticamente os demais parceiros comerciais.

Além disso, Washington anunciou na quinta-feira (23) uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos do Brasil e de outros 59 países, sob a justificativa de que essas nações não combatem eficazmente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Esta nova taxa entrou em vigor nesta sexta-feira (24). Com a tarifa adicional de 25% já existente, parte das exportações brasileiras poderá enfrentar uma cobrança de até 37,5%, embora o governo americano preveja exceções para produtos considerados estratégicos. Outros países como China, Vietnã, Indonésia, Chile e Colômbia também registraram aumentos nas tarifas efetivas, variando entre 0,5 e 1 ponto percentual.

Diante do cenário, o governo brasileiro está negociando uma resposta às medidas e intensificou o apoio às empresas afetadas por meio do Plano Brasil Soberano. O programa já destinou R$ 18,5 bilhões em crédito para setores impactados pelas tarifas americanas. Enquanto isso, a Europa saiu relativamente beneficiada pela nova política, com Bélgica, Espanha e Itália registrando as maiores reduções nas tarifas efetivas, entre 1 e 1,5 ponto percentual, devido a exceções para produtos específicos. Johannes Fritz, diretor-executivo da Global Trade Alert, resumiu ao Financial Times que “as tarifas aumentam, principalmente para o Brasil, mas também para a China. Em geral, elas caem para os europeus, ainda que ligeiramente”. A União Europeia, por sua vez, mantém um pacote de retaliação de cerca de € 93 bilhões (aproximadamente R$ 590 bilhões) preparado para exportações americanas, caso novas investigações resultem em tarifas adicionais contra seus setores industriais.

Compartilhe este artigo