O ex-governador e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), declarou neste sábado (25) ser “inadmissível” que países estrangeiros, como os Estados Unidos, coloquem em dúvida a lisura do processo eleitoral brasileiro. A afirmação foi feita em um contexto de crescentes tensões sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas no país, um tema que tem gerado debates e posicionamentos de diversas figuras políticas.
A declaração de Caiado surge após o Ministério das Relações Exteriores do Brasil ter negado o visto a dois funcionários norte-americanos que planejavam visitar o país nos próximos dias. Conforme reportagem publicada pelo jornal americano Washington Post, a comitiva dos Estados Unidos tinha a intenção de questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas brasileiras, levantando preocupações sobre uma possível interferência externa no pleito nacional.
Em entrevista à CNN, Ronaldo Caiado reiterou sua confiança no sistema eleitoral brasileiro. Ele defendeu a presença de observadores internacionais de diferentes países para acompanhar o processo, mas enfatizou que é inaceitável que qualquer nação, incluindo os EUA, tente descreditar a integridade e os resultados das eleições nacionais. “Eu confio nas urnas eleitorais do Brasil. Também sempre concordei que cada eleição tivesse a presença de observadores de diferentes países, tantos quantos quisessem acompanhar o processo eleitoral brasileiro. Mas considero inadmissível que qualquer país, incluindo os EUA, queira colocar em dúvida a lisura e os resultados das nossas eleições”, afirmou o pré-candidato.
Internamente, integrantes do governo brasileiro avaliam que a viagem da delegação norte-americana poderia ter como objetivo reforçar uma campanha de desinformação contra o sistema eletrônico de votação, que tem sido relançada nos últimos dias a partir de declarações do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também se manifestou neste sábado (25), alertando que “ninguém de fora” deveria “meter o dedo” nas eleições brasileiras. “Quem quiser de fora vir se meter nas eleições brasileiras, já vou avisando logo: vão apanhar muito aqui nas eleições. Quem vai decidir o destino desse país são 157 milhões de eleitores”, declarou Lula durante a convenção partidária que oficializou a candidatura de Fernando Haddad (PT) ao governo de São Paulo.
Corroborando a preocupação com a interferência externa, Renan Santos, candidato do Missão, afirmou que o governo de Donald Trump estaria tentando “aprontar e gerar dúvida” no processo eleitoral brasileiro, visando apoiar o discurso de Flávio Bolsonaro. Para Santos, o Brasil não pode aceitar nenhum tipo de interferência em sua soberania eleitoral, criticando ainda o Executivo por não negociar corretamente com o governo americano sobre novas tarifas impostas a produtos brasileiros. A situação destaca a sensibilidade em torno da segurança e credibilidade das eleições, com diversas figuras políticas se posicionando contra qualquer tentativa de deslegitimar o pleito.