Convenção do PL em São Paulo oficializa candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência

Redação
Colunista
4 leitura mínima
Foto: Nelson Almeida/AFP

Evento destaca sobrenome Bolsonaro e apoio de Javier Milei.

A convenção do Partido Liberal (PL) realizada no último sábado, 25 de julho de 2026, em São Paulo, oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. O evento, descrito como um espetáculo inusual, marcou o momento em que o senador fluminense abraçou publicamente seu sobrenome e destacou a figura do presidente argentino Javier Milei como um de seus principais cabos eleitorais, em uma demonstração de alinhamento ideológico.

O encontro político teve ares de uma festa de família, com momentos de emoção, incluindo lágrimas de Flávio Bolsonaro ao discursar. Ele reconheceu a grande responsabilidade que seu sobrenome carrega e expressou seu amor pelo pai, Jair Bolsonaro. A candidatura de Flávio Bolsonaro ocorre em um cenário de estagnação nas pesquisas eleitorais, onde ele registra 32% das intenções de voto no primeiro turno, contra 40% do atual presidente Lula (PT), conforme o mais recente levantamento do Datafolha.

Apesar da proibição judicial a manifestações políticas de Jair Bolsonaro, sua presença foi sentida de forma imaterial no evento. Um vídeo gerado por inteligência artificial exibiu o ex-presidente, e jingles e bordões como “o capitão voltou” e “ele é o sangue de Bolsonaro” foram entoados. Uma gravação manipulada da voz de Jair Bolsonaro repetiu por duas vezes o lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade”, um slogan de origem fascista dos anos 1920 e 1930, que foi reafirmado por Flávio Bolsonaro em seu discurso. O candidato também direcionou críticas ao Supremo Tribunal Federal e ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso de tentativa de golpe de Estado envolvendo seu pai, com cartazes na plateia pedindo “Fora Moraes” e jingles atacando o ministro.

A família Bolsonaro esteve representada, com a presença de Jair Renan e mensagens de apoio em vídeo dos irmãos Eduardo Bolsonaro e Carlos Bolsonaro. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro enviou uma gravação que, de forma anticlimática, focou em questões femininas e ofereceu um protocolar “boa sorte” ao enteado, indicando uma possível crise ainda não resolvida. Entre os poucos aliados presentes, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), com ambições presidenciais para 2030, adotou uma retórica mais incisiva contra o PT. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), demonstrou um alinhamento bolsonarista mais acentuado, possivelmente visando futuras posições. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma observação que, involuntariamente, remeteu ao esquema de “rachadinha”, ao defender que Jair Bolsonaro não estava preso por tal motivo.

O ponto alto do evento foi a participação de Javier Milei, presidente da Argentina, que se tornou o primeiro chefe de Estado estrangeiro a apoiar abertamente um postulante ao Planalto no Brasil. Em um discurso de 26 minutos, apenas um minuto a menos que o de Flávio Bolsonaro, Milei proferiu as habituais críticas ao socialismo e a Lula, além de ataques com vulgaridades, incluindo a **Alexandre de Moraes**. Essa interferência em assuntos internos de um país vizinho, embora inusual, não representa uma incongruência para o clã Bolsonaro, que sempre teve em Donald Trump um ídolo e apoiou seu “tarifaço” em 2025. Todo esse cenário reflete o isolamento político de Flávio Bolsonaro, que não conseguiu sequer ungir um vice. Com uma rejeição de 48% contra 46% de Lula em um eventual segundo turno, a aposta em assumir o “sangue” do sobrenome é considerada arriscada, visando as casas decimais de eleitores de centro que podem definir a eleição.

Compartilhe este artigo