Centrão opta por neutralidade e impõe revés a Flávio Bolsonaro

Redação
Colunista
3 leitura mínima
Créditos: Foto/Divulgação

PP e União Brasil buscam preservar poder de negociação para 2027.

A decisão do Partido Progressistas (PP) de manter neutralidade no primeiro turno da disputa presidencial resultou em um revés significativo para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência. A medida, consolidada após uma reunião da cúpula do PP na noite de terça-feira (21) em Brasília, frustrou a tentativa do parlamentar de iniciar sua campanha oficial com uma aliança ampla de centro-direita.

Integrantes do PP e do União Brasil, que formam uma federação partidária, justificam a neutralidade como uma estratégia para preservar o poder de negociação para o pleito de 2027. As duas siglas, detentoras de algumas das maiores bancadas no Congresso Nacional, visam manter interlocução com qualquer vencedor da eleição, buscando negociar espaço na Esplanada dos Ministérios, influência na pauta legislativa e apoio nas disputas pelas presidências da Câmara e do Senado.

A campanha de Flávio Bolsonaro realizou esforços para reverter o cenário. O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, chegou a oferecer à senadora Tereza Cristina (PP-MS) a vaga de vice na chapa presidencial. Contudo, a parlamentar recusou o convite, com aliados indicando que ela prefere concentrar seus esforços na disputa pela presidência do Senado em 2027, em vez de integrar a chapa majoritária.

A articulação para a aliança também foi enfraquecida por um desgaste na relação entre Flávio Bolsonaro e parte da direção do PP. Interlocutores do presidente do partido, Ciro Nogueira, afirmam que ele se incomodou com o distanciamento do senador após uma operação da Polícia Federal que teve Ciro Nogueira como alvo em uma investigação envolvendo o Banco Master. Além disso, o Republicanos também sinaliza preferência por não se comprometer neste momento, embora mantenha conversas com a campanha de Flávio Bolsonaro, que ainda considera a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e recém-filiada ao partido, como nome preferencial para a vice, em tratativas que incluem acordos regionais e apoio cruzado em disputas estaduais.

A neutralidade da federação, por ora, restringe-se ao primeiro turno. Dirigentes das siglas planejam aguardar o resultado das urnas para avaliar quais candidatos emergirão fortalecidos e quem terá melhores condições de formar uma base de sustentação no Congresso. Adicionalmente, declarações recentes de Flávio Bolsonaro questionando a segurança das urnas eletrônicas geraram incômodo em lideranças do Centrão, que avaliam que o senador retomou um discurso associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), divergindo da expectativa de uma candidatura com perfil menos radical.

Compartilhe este artigo