A China manifestou nesta sexta-feira, 24 de julho de 2026, sua forte oposição às novas tarifas unilaterais impostas pelo governo dos Estados Unidos, que entraram em vigor na mesma data. A declaração foi feita pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian, em Pequim, um dia após Washington anunciar a aplicação de sobretaxas contra produtos de cerca de 60 nações.
As novas sobretaxas, que podem atingir até 12,5%, incidem sobre produtos de grandes economias globais, incluindo a própria China, Brasil, Índia e União Europeia. Segundo o Escritório do Representante Comercial norte-americano (USTR), a medida é justificada por investigações sobre supostas falhas na proibição de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Lin Jian reiterou a posição “consistente e clara” da China em relação às questões econômicas e comerciais com os Estados Unidos. Ele enfatizou que Pequim “se opõe a todas as formas de tarifas unilaterais” e advertiu que “guerras tarifárias e guerras comerciais não atendem aos interesses de ninguém”, sublinhando a visão chinesa de que tais conflitos são prejudiciais a todas as partes envolvidas.
A postura chinesa não é recente. Em junho, quando o governo de Donald Trump já sinalizava a possibilidade de implementar o aumento tarifário de 12,5%, a porta-voz Mao Ning havia classificado a iniciativa como uma “manipulação política”. Naquela ocasião, Mao Ning defendeu que as disputas econômicas e comerciais deveriam ser resolvidas por meio de “diálogo e consulta, com base na igualdade, no respeito e no benefício mútuo”.
Mao Ning também havia refutado veementemente a existência de trabalho forçado na China, posicionando-se contra o uso desse conceito como um pretexto para manipulação política. A insistência de Pequim no diálogo e na consulta como caminho para resolver impasses comerciais, em contraste com as ações unilaterais dos Estados Unidos, aponta para a continuidade das tensões comerciais entre as duas maiores economias do mundo.