Cidades brasileiras enfrentam impacto de novas tarifas dos estados unidos

Redação
Colunista
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Créditos: Foto/Divulgação

Piracicaba é a mais afetada por tributação elevada de até 37,5%.

Piracicaba, em São Paulo, emerge como o município brasileiro mais impactado pelas recentes medidas tarifárias impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As novas taxações elevaram a tributação sobre uma série de produtos do Brasil em até 37,5%. As tarifas adicionais entraram em vigor em duas etapas, com a primeira aplicada na quarta-feira (22) e a segunda na sexta-feira (24), afetando diversos polos industriais e exportadores em diferentes regiões do país, conforme levantamento que inclui dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Amcham Brasil.

As ações do governo norte-americano consistiram em duas cobranças distintas. A primeira, uma tarifa adicional de 25%, foi implementada para punir práticas comerciais consideradas desleais pelos Estados Unidos, citando o Pix como exemplo. A segunda medida, de 12,5%, começou a valer dois dias depois e atingiu sessenta parceiros comerciais sob a alegação de falhas no combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado. Os principais produtos sujeitos a essa dupla tributação incluem madeira, máquinas e equipamentos, rochas naturais, calçados, gorduras vegetal e animal, e armas. Setores como combustíveis, carnes, café e suco de laranja foram excluídos dessas novas cobranças setoriais ou específicas contra o Brasil.

A cidade de Piracicaba concentra um impacto significativo devido à presença de empresas que exportam máquinas e equipamentos para as indústrias agrícola e automotiva dos Estados Unidos. O município também foi afetado pelas vendas de produtos químicos orgânicos, papel e etanol. Paulo Estevam Camargo, presidente do Sindicato Patronal das Indústrias do Setor Metalmecânico de Piracicaba, Saltinho e Rio das Pedras, destacou que o efeito alcança fabricantes que fornecem máquinas, equipamentos, peças e serviços ao setor sucroenergético. Ele estimou que cerca de 50 empresas e 10 mil empregados na região são diretamente afetados, ressaltando que “qualquer redução na competitividade do etanol brasileiro ou retração dos investimentos nesse segmento acaba refletindo diretamente sobre a indústria metalmecânica”.

Além de Piracicaba, outras cidades brasileiras também sentem os efeitos das novas tarifas. São Paulo é impactada pelas vendas de máquinas, gorduras animal e vegetal e outros equipamentos, enquanto Joinville, em Santa Catarina, sofre pelo peso de seu setor metalmecânico. No Espírito Santo, os municípios de Serra e Cachoeiro do Itapemirim estão entre os mais expostos devido às exportações de rochas naturais, como granito, mármore e quartzito. Tales Machado, presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais, enfatizou a relevância desses produtos: “Mármore e granito representam 30% de tudo que exportamos para os Estados Unidos em rochas naturais. Ninguém quer perder 30%”. Regiões do Sul, como Jaguariaíva, Guarapuava, Palmas e Telêmaco Borba, no Paraná, são afetadas pela madeira, enquanto Camaçari (BA) por produtos químicos orgânicos, Santa Cruz do Sul (RS) por tabaco e São Leopoldo (RS) por armas de fogo.

O levantamento aponta que as duas novas tarifas alcançam simultaneamente 16,5% das exportações do Brasil para os Estados Unidos, enquanto 52,7% permanecem sem tarifas adicionais. Diante do cenário, Paulo Estevam Camargo também expressou preocupação com a possibilidade de escalada, caso o governo brasileiro acione a Lei da Reciprocidade, alertando que “a escalada de medidas retaliatórias tende a aumentar a insegurança nas relações comerciais, elevar custos e dificultar ainda mais o ambiente de negócios”. Por sua vez, Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, defendeu a via diplomática, afirmando que “a reversão desse cenário passa necessariamente pela retomada das negociações entre os dois governos. O entendimento bilateral é o caminho mais eficaz para atender aos interesses de ambos os lados”.

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