A Europa se prepara para enfrentar sua quarta onda de calor extremo desde maio, com previsões de temperaturas que podem atingir 40°C ou mais em diversas partes do continente. Este novo episódio, que deve começar na segunda-feira, dia 27, e se intensificar até o meio da semana, eleva significativamente o risco de incêndios florestais em um cenário já desafiador para a região. Meteorologistas alertam que áreas da Europa ocidental podem registrar marcas próximas ou superiores a 40°C.
O continente tem sido palco de uma sequência de altas temperaturas que já alimentaram incêndios mortais em regiões da Europa ocidental e meridional. Esses eventos climáticos extremos resultaram na destruição de milhares de hectares de vegetação e forçaram centenas de milhares de pessoas a deixar suas casas ou buscar abrigo seguro. A recorrência dessas ondas de calor sublinha a vulnerabilidade da região aos impactos das mudanças climáticas.
Até o domingo, dia 26, mais de 300 mil pessoas já haviam sido obrigadas a evacuar ou a se proteger devido aos focos de incêndio. Centenas de bombeiros continuam mobilizados, atuando incansavelmente contra as chamas que se aproximam de grandes cidades na França e na Espanha. O Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS) indica que partes do sudoeste da França e do norte da Espanha devem permanecer sob “condições de incêndio muito extremas”, a categoria mais alta de previsão de risco, pelo menos até a quarta-feira, dia 29.
O perigo extremo de incêndios também se estende por grande parte da Península Ibérica, o oeste e o centro da França, o norte da Finlândia e áreas dos Bálcãs ocidentais, enquanto regiões da Europa central e partes da Turquia estão sob alerta de risco muito alto. Na França, a Météo-France informou que, embora tempestades severas tenham reduzido ligeiramente o risco no sul no sábado, ventos secos e fortes no domingo e na segunda-feira devem elevar rapidamente a ameaça, com Bordeaux, no sudoeste, já enfrentando um incêndio florestal grave. Na Espanha, a AEMET prevê que, apesar de um possível recuo do risco na maior parte do país, condições muito altas ou extremas persistirão no leste e no sul, onde os termômetros podem ultrapassar os 40°C. Em Portugal, o IPMA emitiu o alerta mais alto de incêndio para partes do sul, centro e norte até quarta-feira, com calor próximo a 40°C, especialmente no sudeste.
Outras nações europeias também sentem os efeitos. Na Itália, incêndios devastam áreas da Sicília e da Calábria, no sul do país. No Reino Unido, moradores da Escócia puderam retornar para casa no sábado, dia 25, após mais de 500 bombeiros passarem dez dias combatendo um incêndio florestal no Parque Nacional de Cairngorms. Cientistas reforçam que as ondas de calor estão se tornando, em geral, mais quentes, frequentes e duradouras em escala global, e a Europa, em particular, está aquecendo mais rapidamente do que qualquer outro continente. Em 2025, quase todo o continente registrou temperaturas acima do normal, e pesquisadores estimam dezenas de milhares de mortes anuais relacionadas ao calor nos últimos anos, evidenciando a urgência e a gravidade da situação climática.