Pesquisa Datafolha indica percepção de eleitores sobre tarifaço de Trump

Redação
Colunista
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Créditos: Foto/Divulgação

Maioria vê medida comercial dos EUA como auxílio a Flávio Bolsonaro

Um levantamento recente do Datafolha, realizado nos dias 22 e 23 de julho, revelou que uma parcela significativa dos eleitores brasileiros acredita que o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump ao Brasil tem um propósito político específico. A pesquisa aponta que 52% dos entrevistados consideram que a medida comercial visa auxiliar a campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. O instituto ouviu 2.004 pessoas com mais de 16 anos, e a margem de erro do estudo é de dois pontos percentuais.

A percepção dos eleitores se insere em um contexto de forte aproximação da família Bolsonaro com o governo republicano dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que já declarou admiração por Trump e foi condenado por tentativa de golpe de Estado, teve sua iminente prisão citada por Trump na primeira versão da medida. Essa primeira articulação do tarifaço, que impôs uma sobretaxa de 50% sobre produtos brasileiros e sanções a integrantes do governo e do Supremo Tribunal Federal, teve a participação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), deputado cassado que se encontra refugiado nos Estados Unidos.

Diante da crise gerada pelas medidas comerciais, o presidente Lula (PT) explorou a situação para lançar uma campanha de defesa da soberania nacional, o que coincidiu com uma melhora na avaliação de seu governo. Na ocasião, Lula se aproximou de Trump até que as medidas e punições fossem desfeitas. Contudo, em 15 de julho, os Estados Unidos aplicaram uma nova sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, com uma lista ampla de exceções, justificando a ação por uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais, como o uso do Pix. Posteriormente, em 22 de julho, foi adicionada uma taxa de 12,5% devido a uma apuração sobre abusos trabalhistas.

Em meio à campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro tentou se desvincular do novo tarifaço, participando de uma audiência nos Estados Unidos e enviando uma carta ao governo americano. Sua argumentação de que a medida ajudaria o presidente Lula, no entanto, não prevaleceu na opinião pública. A pesquisa Datafolha detalha que 37% dos eleitores rejeitam a interpretação de que o tarifaço visa ajudar Flávio Bolsonaro, enquanto 11% não souberam responder. A percepção varia significativamente conforme a preferência eleitoral: 29% dos eleitores de Flávio Bolsonaro acreditam que a medida o favorece, enquanto entre os eleitores de Lula, esse percentual atinge 73%. No cenário eleitoral, Lula aparece à frente de Flávio Bolsonaro no primeiro turno por 40% a 32%, e também lidera a simulação de segundo turno, por 48% a 43%.

O levantamento também mediu o nível de conhecimento sobre a medida comercial, indicando que 63% dos entrevistados estão familiarizados com o tarifaço, sendo que 25% se consideram bem informados e 34% razoavelmente informados. Sobre a culpa pela crise, 34% concordam com Lula ao atribuí-la ao rival, 26% dizem que Flávio Bolsonaro está certo ao apontar falha do governo brasileiro, 24% afirmam que nenhum dos dois está certo, 11% concordam com ambos e 6% não souberam responder. Quanto à saída para a crise, 74% defendem a negociação, 17% preferem a retaliação item por item, e 2% dizem que o país deve aceitar o tarifaço. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o código BR-01166/2026, evidenciando o impacto político e a complexidade da questão na disputa presidencial.

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