O mercado financeiro brasileiro, concentrado na região da Faria Lima em São Paulo, manifesta uma significativa rejeição à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. Este sentimento, observado em 26 de julho de 2026, aponta para uma crescente preferência por outros nomes, como o de Ronaldo Caiado (PSD), considerado uma alternativa mais estável para as próximas eleições.
Historicamente, o setor financeiro tem demonstrado descontentamento com a política econômica do PT e do presidente Lula. Em pleitos anteriores, o mercado apoiou Jair Bolsonaro (PL) por sua linha econômica mais liberal. Contudo, essa preferência não se estende ao seu filho, Flávio Bolsonaro, que enfrenta considerável oposição entre gestores, economistas e CEOs da Faria Lima, que, sob condição de anonimato, avaliam que ele não resistirá ao teste das urnas, projetando uma vitória de Lula no segundo turno.
Uma série de fatores tem contribuído para a erosão da imagem de Flávio Bolsonaro no mercado financeiro. Entre eles, destaca-se a percepção de que ele teria mentido sobre sua proximidade com Daniel Vorcaro, do Banco Master, de quem solicitou recursos. As contradições nas explicações sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, que aborda a vida de seu pai, Jair Bolsonaro, aprofundaram a desconfiança e resultaram em uma queda em seu ranking de credibilidade no setor empresarial. O desconforto é intensificado pela existência de um inquérito que investiga o caso, apurando suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro, envolvendo também Eduardo Bolsonaro e Daniel Vorcaro, o que o torna alvo de investigações.
A percepção no mercado é que Flávio Bolsonaro opera sob um “telhado de vidro”, com a constante ameaça de novas denúncias ou vazamentos que poderiam comprometer sua campanha, especialmente no segundo turno, o que, temem, poderia garantir a reeleição de Lula. Além disso, o setor financeiro critica a falta de habilidade política de Flávio Bolsonaro para formar alianças, preferindo a rivalidade à negociação. O embate público com sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), vista como uma força política já estabelecida entre as mulheres, é descrito como um erro estratégico inexplicável. Sua candidatura estaria, inclusive, rachando o PL e não conseguiu o apoio do PP, nem sensibilizar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) para ser sua vice. Ele também estaria afastado de figuras políticas estratégicas próximas ao pai, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), que é o candidato preferido do setor financeiro.
Diante da fragilidade demonstrada por Flávio Bolsonaro, a análise do cenário político por bancos, gestoras e corretoras já precifica a vitória de Lula, com os preços dos ativos locais refletindo essa expectativa. O Ibovespa está abaixo da máxima, o dólar acima de R$ 5 e os juros futuros em alta, com títulos do Tesouro oferecendo rentabilidades elevadas. A dívida pública bruta do país, que estava em 69,34% do PIB em agosto de 2016, alcançou 81,1% em maio, agravando o cenário de pressão fiscal. Além das questões econômicas, parte do mercado financeiro também expressa preocupação com as futuras indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde Lula, caso reeleito, teria a oportunidade de indicar mais três ministros, além de Cristiano Zanin e Flávio Dino, concedendo-lhe maioria no plenário. No entanto, uma outra parcela da Faria Lima considera que a eleição ainda não é o principal fator de movimentação do mercado, que estaria mais focado na guerra do Irã e seu impacto nos preços das commodities, especialmente o petróleo.