Pesquisa Quaest detalha perfil dos eleitores indecisos na disputa presidencial

Redação
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Créditos: Foto/Divulgação

Mulheres e independentes são maioria entre os que ainda não definiram voto.

A 76 dias do primeiro turno das eleições, 11% do eleitorado brasileiro ainda não decidiu em quem votar para presidente, conforme revelado pela pesquisa Genial/Quaest. O levantamento aponta um cenário de disputa polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com os indecisos representando um segmento crucial para o desfecho do pleito.

Os dados complementam informações divulgadas na semana anterior, que indicaram uma leve variação nas intenções de voto. Na ocasião, Lula registrou um aumento de 39% para 40%, enquanto Flávio Bolsonaro teve uma queda de 29% para 28%. Essa movimentação resultou em uma diferença de 12 pontos percentuais entre os dois principais candidatos, evidenciando a importância do grupo de eleitores que ainda não se posicionou.

Entre os eleitores indecisos, as mulheres constituem a maioria, representando 66% do grupo, em contraste com 34% de homens. O cientista político Felipe Nunes, CEO da Quaest, destacou ao jornal O Globo que esse eleitorado possui características específicas. Segundo Nunes, são “mulheres que não têm filiação ideológica”, sendo pragmáticas, preocupadas com o custo de vida e que buscam respeito. Ele ressaltou que ambos os principais candidatos enfrentam dificuldades para atrair esse segmento, pois “elas rejeitam o governo Lula, mas não encontram no Flávio Bolsonaro uma alternativa”.

A pesquisa também revela que a maior parte dos eleitores sem candidato definido não se alinha automaticamente aos polos da disputa nacional. Entre os indecisos, 53% se declaram independentes, um percentual significativamente maior do que os 29% de independentes observados no grupo de eleitores que já definiram seu voto. Além disso, 22% se identificam como de direita não bolsonarista e 14% como de esquerda não lulista. Regionalmente, o Sudeste concentra a maior fatia dos indecisos, com 53%, englobando os três maiores colégios eleitorais do país: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Nordeste e Sul aparecem empatados com 16% cada, enquanto o Centro-Oeste reúne 15%.

O perfil dos indecisos também abrange aspectos religiosos e socioeconômicos. No quesito religioso, 44% são católicos, 30% evangélicos e 17% declaram não ter religião. Em relação à renda, predominam os eleitores que recebem entre dois e cinco salários mínimos. Por faixa etária, os grupos de 16 a 34 anos e de 35 a 59 anos representam 41% cada um dos indecisos, enquanto eleitores com 60 anos ou mais correspondem a 18%.

O levantamento da Genial/Quaest, que entrevistou 2.004 pessoas entre os dias 10 e 13 de julho, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%, também indica uma elevada rejeição aos dois nomes mais competitivos nesse segmento. Entre os indecisos, Lula é rejeitado por 56%, e Flávio Bolsonaro por 61%. Esses percentuais são ligeiramente superiores aos observados entre os eleitores que já definiram seu voto, onde a rejeição a Lula é de 50% e a Flávio Bolsonaro de 56%. A avaliação do governo federal também difere: 35% dos indecisos aprovam a gestão Lula, contra 50% do restante do eleitorado, com 46% dos indecisos desaprovando e 19% não sabendo ou preferindo não responder. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número BR-07181/2026.

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