PL elege maior bancada desde 1988, mas PT articula aliança para impedir partido de comandar a Câmara

Política Real
Colunista
5 leitura mínima

Levantamento mostra que 92% dos deputados eleitos pelo PL já ocuparam cargos políticos. Enquanto a legenda reivindica a presidência da Casa, petistas sinalizam apoio a Hugo Motta para 2027.

O Partido Liberal (PL) sairá das eleições de 2026 com uma força inédita na Câmara dos Deputados. Segundo levantamento publicado pelo UOL neste sábado (17), a legenda elegeu 121 parlamentares, formando a maior bancada conquistada por um único partido desde a Constituição de 1988. O crescimento, entretanto, abriu uma nova disputa em Brasília: quem comandará a Câmara a partir de fevereiro de 2027?

Enquanto o PL reivindica espaço na presidência da Casa, o PT já sinaliza disposição para apoiar a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB), numa articulação com partidos do Centrão.

A movimentação foi revelada pela CNN Brasil e demonstra que a reorganização do Congresso começou antes mesmo da definição do segundo turno presidencial.

Entre os nomes cogitados pelo PL para a presidência da Câmara estão Altineu Côrtes (RJ) e Sóstenes Cavalcante (RJ). Os dois possuem experiência parlamentar e representam setores importantes da estrutura partidária.

O crescimento do PL pode sugerir uma renovação profunda da política brasileira. Os dados, entretanto, revelam uma realidade diferente.

Dos 121 deputados eleitos pelo partido, 111 já ocuparam algum cargo eletivo. Isso significa que 91,7% possuem experiência política anterior, enquanto apenas 8,3% não apresentam histórico de mandatos.

Outro dado chama a atenção: 93 dos eleitos, equivalentes a 76,9%, já passaram por outras legendas antes de ingressar no PL.

Entre eles existem políticos que tiveram filiação a partidos de diferentes orientações ideológicas, incluindo PT, PCdoB, PDT e PSB.

O próprio Altineu Côrtes, um dos nomes mencionados na disputa pelo comando da Câmara, já foi filiado ao PT.

A composição demonstra que o crescimento do partido não ocorreu apenas pela entrada de novos representantes ligados ao bolsonarismo. Também envolveu a reunião de políticos experientes, muitos com trajetórias anteriores em outras estruturas partidárias.

O levantamento identificou ainda que 81,8% da bancada eleita é formada por homens e 86,8% por candidatos declarados brancos.

Geograficamente, o Sudeste concentra a maior representação, com 57 deputados. São Paulo e Minas Gerais tiveram desempenhos expressivos, impulsionados por candidatos de grande votação, como Lucas Pavanato e Nikolas Ferreira.

Os dois responderam por quase 30% dos votos recebidos pelos candidatos do PL em todo o país, segundo os dados analisados pelo UOL.

O partido também conquistou cadeiras no Nordeste, região em que Lula venceu o primeiro turno em todos os estados.

A dimensão dessa bancada explica o interesse da legenda em disputar a presidência da Câmara. O ocupante do cargo controla a condução das sessões, possui influência sobre a pauta legislativa e participa das negociações que definem o andamento de propostas importantes para o governo.

Mas conquistar a maior bancada não garante automaticamente o comando da Casa.

A eleição para presidente da Câmara depende de votos dos deputados, e os acordos entre partidos continuam tendo peso decisivo.

É nesse cenário que surge a aproximação entre PT e Hugo Motta. Segundo a CNN, petistas passaram a considerar o apoio ao atual presidente da Câmara como alternativa para impedir que o PL conquiste a função.

A movimentação ainda não representa um acordo definitivo. O Republicanos busca formar uma coalizão ampla, envolvendo partidos com interesses diferentes e posições distintas na corrida presidencial.

O resultado do segundo turno poderá alterar o ambiente das negociações, mas a distribuição das cadeiras já estabelece uma realidade que permanecerá depois da eleição.

O próximo presidente da República terá de negociar com uma Câmara na qual o PL possuirá a maior bancada, independentemente de quem vencer nas urnas.

A disputa pelo comando do Legislativo mostra que a eleição presidencial não é a única decisão política relevante deste mês. O país também começa a desenhar quem terá capacidade de organizar as votações e negociar as grandes mudanças legislativas a partir de 2027.

Compartilhe este artigo