Superintendentes da PF manifestam apoio a Andrei em meio a atritos com Mendonça

Redação
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A publicação de uma nota assinada pelos 27 superintendentes regionais da Polícia Federal (PF) em apoio ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, evidenciou a sequência de atritos entre o comando do órgão e o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O desgaste envolve divergências em torno da condução, do controle de dados e do sigilo em investigações relativas aos casos do Banco Master e a fraudes no INSS.

Desentendimentos no caso Banco Master

As divergências vieram a público em fevereiro, quando André Mendonça assumiu a relatoria dos inquéritos do Banco Master em substituição ao ministro Dias Toffoli. Em sua primeira decisão no caso, Mendonça proibiu os policiais responsáveis pelas apurações de compartilharem dados com seus superiores, incluindo o diretor-geral da PF.

Na ocasião, o ministro fixou que “somente as autoridades policiais e agentes diretamente envolvidos na análise e condução dos procedimentos […] é que devem ter conhecimento das informações acessadas, o que lhes impõe o dever de sigilo profissional, inclusive em relação aos superiores hierárquicos e outras autoridades públicas”.

Segundo interlocutores, Andrei Rodrigues classificou a medida como desnecessária, afirmando reservadamente: “Essa decisão dele eu cumpro desde janeiro de 2023”. A mudança de relatoria ocorreu após Andrei entregar ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, relatório indicando que Toffoli era citado em mensagens encontradas no celular apreendido do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Restrições operacionais e alertas sobre vazamento

Novas determinações de Mendonça intensificaram o clima de desconfiança. Ao autorizar busca e apreensão no escritório do advogado Willer Tomaz — investigado na Operação Sem Desconto por suspeita de lavagem de dinheiro associada ao senador Weverton Rocha (PDT-MA) —, o magistrado estabeleceu limites rigorosos à atuação policial. Tanto o advogado quanto o senador negam irregularidades.

Na decisão, Mendonça ressaltou que a polícia “deverá realizar apreensão apenas e tão somente dos elementos indiciários eventualmente indicados que guardem estrita relação com os fatos sob apuração”. O ministro determinou ainda que, diante de um “encontro fortuito de prova penalmente relevante sem relação com a investigação”, o material deve ser separado e submetido ao juízo, ficando “vedada sua exploração até ulterior decisão judicial específica”.

Em outro desdobramento, ao retirar o sigilo da apuração sobre o senador Jaques Wagner (PT-BA) — suspeito de receber propina de ex-sócio do Banco Master —, Mendonça registrou a existência de “riscos de vazamento indevido da operação”. A menção ocorreu após um investigado pedir audiência ao gabinete do ministro no mesmo dia em que a PF solicitava autorização para a operação. A defesa do parlamentar informou que não comentaria a declaração por o nome de seu cliente não ter sido explicitado no despacho.

Desdobramentos no INSS e novos inquéritos

Pelo lado da Polícia Federal, a cúpula demonstrou contrariedade com a ordem para entrega direta e célere de todo o material bruto apurado nas investigações sobre desvios no INSS. O caso ganhou repercussão após o surgimento de suspeitas envolvendo o empresário Fábio Luís Lula da Silva, que nega irregularidades e teve sigilos quebrados a pedido da própria PF.

Diante de novos indícios de possível tráfico de influência sem relação direta com os desvios previdenciários, a corporação pediu ao STF a abertura de três novos inquéritos e solicitou a distribuição por sorteio entre todos os ministros da Corte. A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou com o pleito. No sorteio, duas ações foram distribuídas para Mendonça e uma para o ministro Flávio Dino.

Reunião no governo e nota oficial da PF

Para alinhar a condução dos trabalhos, o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o advogado-geral da União, Jorge Messias, reuniram-se com Mendonça. No encontro, o governo prometeu reforçar as equipes da PF dedicadas a investigações de corrupção para dar maior velocidade aos procedimentos.

Simultaneamente, os 27 superintendentes estaduais da PF divulgaram uma nota pública de apoio ao diretor-geral. O documento afirma que “a credibilidade construída perante a sociedade brasileira decorre da atuação técnica e independente de seus servidores, orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico”. A manifestação conclui registrando que “a atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”.

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