O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, declarou nesta quinta-feira (6) que a negociação de um acordo nuclear com o Irã será um processo demorado e complexo. Em entrevista à emissora Fox News, Vance descreveu os iranianos como “um povo extraordinariamente difícil” e atribuiu os impasses nas conversas ao sistema político fragmentado do país.
Segundo o vice-presidente, existem divisões internas na liderança iraniana entre integrantes que desejam o fim do conflito e “radicais fanáticos” que buscam a continuidade das hostilidades. Vance afirmou que a missão dos Estados Unidos é gerenciar esse cenário para alcançar o melhor resultado para a população americana, garantindo que o Irã não obterá uma arma nuclear.
“Primeiro, os iranianos são pessoas extremamente difíceis. Segundo, eles têm um sistema fragmentado. Existem pessoas dentro do sistema deles que querem que a guerra termine. Existem também pessoas dentro do sistema deles que são radicais fanáticos e querem que a guerra continue. Nosso trabalho é navegar por essa situação e obter o melhor resultado possível para o povo americano”, afirmou o vice-presidente.
Sobre os reflexos econômicos do conflito, Vance destacou que o petróleo estava cotado a US$ 79 no dia e previu que o valor continuará em queda. Ele admitiu, contudo, que o entendimento diplomático sobre o programa nuclear iraniano exigirá tempo.
“Acredito que, no fim das contas, será um processo complicado e demorado, e o petróleo, que estava cotado a US$ 79 hoje, continuará caindo. O Irã jamais terá uma arma nuclear, e os Estados Unidos estarão em uma posição mais forte. Mas estamos no meio do jogo, e acho que as pessoas estão tentando prever exatamente como isso vai terminar”, acrescentou.
Relatos de divergências internas
As declarações ocorrem após o jornal The Washington Post noticiar, na quarta-feira (5), uma discussão entre o presidente Donald Trump e o secretário de Guerra, Pete Hegseth, motivada pelo baixo nível dos estoques de mísseis americanos. De acordo com a publicação, Trump cobrou o secretário durante reunião de gabinete após constatar que o problema não havia sido resolvido, alegando ter sido enganado.
Anteriormente, Trump havia afirmado que autorizou e posteriormente cancelou “o maior ataque desde a Segunda Guerra Mundial” contra o Irã para dar margem a possíveis negociações. O governo iraniano, no entanto, nega a realização de tratativas com os Estados Unidos.
A Casa Branca desmentiu o relato do jornal. A porta-voz Karoline Leavitt classificou a reportagem como “100% notícia falsa” e reiterou que Trump mantém total confiança em Hegseth. O Pentágono também negou qualquer omissão por parte do secretário.
Estoques militares reduzidos
Em reportagem publicada na terça-feira (4), a agência Reuters informou que o Exército norte-americano consumiu “praticamente todo” o seu estoque de mísseis de precisão de longo alcance durante as operações militares contra o Irã.
As munições afetadas incluem os mísseis ATACMS e os modelos mais recentes PrSM, cujo custo unitário supera US$ 1 milhão (cerca de R$ 5,1 milhões). Segundo analistas consultados pela agência, a escassez desses equipamentos levanta preocupações sobre a prontidão das forças dos EUA para eventuais conflitos futuros.