A indefinição do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) sobre sua candidatura ao governo de Minas Gerais tem gerado preocupação e impactado diretamente o cenário político do estado, considerado o segundo maior colégio eleitoral do país. A situação se tornou um obstáculo para a montagem do palanque presidencial de Flávio Bolsonaro, que busca apoio competitivo na região. A incerteza persiste enquanto o parlamentar, que lidera as pesquisas de intenção de voto, não anuncia publicamente sua decisão final.
O contexto dessa indefinição é crucial para a estratégia eleitoral da direita em Minas Gerais. Integrantes do Republicanos, partido de Cleitinho Azevedo, avaliam a possibilidade de o senador desistir da corrida estadual para apoiar Marcelo Aro, do PP, ex-deputado federal e ex-secretário da Casa Civil do governo Romeu Zema. Essa movimentação visa consolidar um palanque robusto para a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, que enfrenta a concorrência de Lula e do próprio Romeu Zema, candidato do Novo à reeleição.
A divergência sobre o futuro político de Cleitinho Azevedo é evidente entre seus próprios aliados. Enquanto membros do Republicanos indicam que o senador se encaminha para abrir mão da disputa estadual, apesar de sua liderança nas pesquisas, uma versão oposta foi apresentada por seu irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo. Segundo Eduardo, em conversa realizada no domingo, Cleitinho teria afirmado categoricamente: “Eu serei candidato”. No entanto, Eduardo Azevedo reconheceu que o anúncio oficial ainda não foi feito, e o parlamentar divulgará sua decisão no momento que considerar mais adequado.
A incerteza em torno da candidatura de Cleitinho Azevedo já teve reflexos diretos no calendário político. O PL, por exemplo, encerrou sua convenção em Minas Gerais sem lançar um candidato ao governo, oficializando apenas Domingos Sávio para o Senado e transferindo à direção estadual a decisão sobre alianças, mantendo o compromisso de apoiar Cleitinho caso ele confirme sua participação. O próprio senador também não compareceu à convenção estadual do Republicanos, realizada no sábado anterior. Sua ausência ocorreu uma semana após o falecimento de seu irmão mais novo, Matheus Azevedo, vítima de complicações de leucemia, um luto que aliados atribuem como parte do atraso na tomada de decisão.
A necessidade de um palanque competitivo em Minas Gerais é crucial para Flávio Bolsonaro enfrentar os candidatos Lula e Romeu Zema, que busca a reeleição e conta com o apoio do governador Mateus Simões, que também tentará a reeleição. O PT, por sua vez, planeja lançar Patrus Ananias ao governo estadual. Uma eventual desistência de Cleitinho Azevedo obrigaria o PL e o Republicanos a redesenhar a composição da direita mineira a poucos dias do encerramento das convenções partidárias. Até o momento, o senador não confirmou publicamente nenhuma das versões apresentadas por seus aliados, mantendo o cenário em aberto e a expectativa sobre os próximos passos.