O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), sinalizou a aliados a intenção de encerrar o desgaste com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reconstruir o diálogo entre o comando da Casa e o Palácio do Planalto. A aproximação, contudo, não deve antecipar a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6×1, prevista para ser votada a partir de novembro.
De acordo com informações publicadas pelo Painel da Folha, as conversas entre Alcolumbre e Lula vêm ocorrendo desde a semana passada. Entre as articulações para distensionar o ambiente político está a possível indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para o Tribunal de Contas da União (TCU). A movimentação depende de uma eventual aposentadoria antecipada do ministro Bruno Dantas, cotado para migrar para o setor privado.
A eventual ida de Pacheco ao TCU é vista por um aliado do presidente do Senado como forma de superar as divergências geradas pela disputa no Supremo Tribunal Federal (STF). Na ocasião, Alcolumbre defendia o nome do senador mineiro, mas Lula escolheu Jorge Messias, o que causou atrito entre as partes e acabou em rejeição pelo Senado. Interlocutores relatam que Alcolumbre não sinalizou que aceitaria Messias caso o nome seja reapresentado.
Apesar do diálogo com o governo federal, a trégua não acelerou a tramitação do fim da escala 6×1 durante o período eleitoral. Alcolumbre ainda não assumiu o compromisso de pautar a matéria antes da eleição de outubro e prevê a análise pelo Senado a partir de novembro. O texto, já aprovado pela Câmara dos Deputados, reduz a jornada máxima para 40 horas semanais, com dois dias de descanso e sem redução salarial.