Jornalistas criticam uso de avião como isca em operação para proteger Trump

Redação
Colunista
2 leitura mínima
Trump

Jornalistas e integrantes da Casa Branca foram transportados na aeronave presidencial dos Estados Unidos sem serem informados de que o voo servia como despiste para proteger o presidente Donald Trump de uma potencial ameaça atribuída ao Irã. O caso ocorreu em 8 de julho, após a cúpula da Otan em Ancara, na Turquia, segundo apurações publicadas pelo The Washington Post e The New York Times.

Na ocasião, Trump embarcou na aeronave principal diante das câmeras, mas desembarcou discretamente pelo outro lado. Ele foi levado em um caminhão de mantimentos até um avião C-32A da Força Aérea dos Estados Unidos, enquanto a aeronave presidencial decolou rumo ao Reino Unido transportando apenas profissionais de imprensa e assessores. De acordo com os jornais norte-americanos, a inteligência dos EUA havia detectado uma ameaça crível de ataque contra o presidente ou seu avião.

Em entrevista ao Jornal Nacional, o fotojornalista Alex Brandon, da agência Associated Press, relatou ter percebido algo atípico quando os passageiros receberam ordens do Serviço Secreto para manter as janelas fechadas. “Gosto de ser usado como isca? Não é a minha escolha favorita”, afirmou o fotógrafo, destacando que a operação foi realizada sem o conhecimento da imprensa sobre o risco.

Também a bordo, o jornalista Gram Slattery, da agência Reuters, criticou a atitude do governo em depoimento ao mesmo telejornal. “A Casa Branca mentiu para o público e os jornalistas sobre o que estava acontecendo”, declarou.

Após pousar no Reino Unido no avião secundário, Trump retornou sem ser visto à aeronave presidencial e apareceu publicamente como se tivesse feito todo o trajeto nela. A Casa Branca não forneceu detalhes sobre a operação nem explicou a ausência de aviso aos passageiros, afirmando em nota que utiliza todos os recursos disponíveis para combater ameaças de inimigos contra o presidente.

Compartilhe este artigo