O Discord admitiu que seu sistema de segurança falhou e levou cerca de duas horas para interromper uma transmissão ao vivo que vitimou uma menina de 13 anos em Mato Grosso do Sul. Em decorrência do caso, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou nesta quarta-feira (12) a suspensão do recurso de transmissões ao vivo da plataforma no Brasil. A medida atinge exclusivamente a funcionalidade de lives, mantendo o restante da rede social em operação no país.
Segundo relatório entregue pela própria empresa ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e obtido pela GloboNews, a transmissão teve início às 2h20 do dia 22 de julho. O primeiro alerta automático de risco iminente de morte ou lesão grave foi registrado às 3h50, mas a remoção do servidor só ocorreu às 4h15.
De acordo com a plataforma, o canal não ativou de início os mecanismos de intervenção automatizada porque marcou 0,12 ponto em uma escala de risco cujo gatilho de bloqueio é 0,95 ponto. O Discord relatou que nomes e comunicações em texto utilizados pelos criadores do servidor mascararam a intenção real do conteúdo.
Em trecho do documento enviado às autoridades, a empresa explicou as limitações técnicas de alterar os parâmetros: “Reduzir o limiar de detecção aplicável aumentaria materialmente os falsos positivos e poderia comprometer a eficácia da intervenção proativa automatizada. Esse resultado está sendo reexaminado, inclusive para avaliar possíveis aprimoramentos nos critérios de priorização”, declarou a plataforma.
A suspensão aplicada pela ANPD possui caráter preventivo e estabelece um prazo de três dias úteis para cumprimento, com fundamento no ECA Digital. A agência informou que a restrição continuará em vigor até que o Discord comprove a adoção de ferramentas eficazes para a proteção de crianças e adolescentes. Representantes do órgão relataram que a plataforma era monitorada desde o ano passado devido a casos recorrentes de indução à automutilação e ao suicídio por meio do recurso de transmissões ao vivo.
Em nota oficial, o Discord considerou a medida da ANPD “prematura” e declarou que mantém diálogo com a agência. “A caracterização do Discord feita pela ANPD não reflete a plataforma que construímos nem os investimentos que temos feito na segurança dos usuários”, afirmou a empresa. A companhia acrescentou que suas investigações apontam que a atividade criminosa foi articulada em outras redes antes e depois do banimento dos usuários na plataforma, e reiterou o compromisso de colaborar com os órgãos reguladores brasileiros.