Governo Milei é alvo de investigações por retenção de verbas de infraestrutura

Redação
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Javier Milei

O governo do presidente argentino Javier Milei enfrenta denúncias judiciais e investigações a respeito da retenção de verbas destinadas a estradas, transporte e infraestrutura hídrica. Os questionamentos atingem a política de “déficit zero”, mantida pela Casa Rosada como principal diretriz da gestão econômica.

Um levantamento do jornal La Nación apontou que o imposto sobre combustíveis arrecadou 1,5 trilhão de pesos (aproximadamente US$ 1 bilhão) entre o fim de 2023 e meados deste ano. Deste total, apenas 25% foi repassado para obras rodoviárias, enquanto quase US$ 668 milhões teriam sido destinados a aplicações como depósitos a prazo fixo e títulos públicos.

O porta-voz da Presidência, Adrián Ravier, admitiu que parte dos recursos do Fundo do Sistema Rodoviário Integrado (SisVial) auxiliou o governo a alcançar o equilíbrio fiscal e defendeu que as rodovias não sejam construídas com dinheiro do contribuinte, mas via investimento privado. O Executivo incluiu 9 mil dos 40 mil quilômetros de rodovias em regime de licitação. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores das Rodovias, presidido por Fabián Catanzaro, 70% das estradas federais estão em condições regulares ou ruins.

Conforme apuração do site de checagem Chequeado, o setor hídrico registrou situação semelhante: dos 375 bilhões de pesos arrecadados em 2024 (cerca de US$ 250 milhões), somente um terço financiou intervenções, com o restante alocado em depósitos bancários e títulos do Tesouro.

A deputada opositora Marcela Pagano apresentou uma representação à Justiça, sustentando que as retenções criam um superávit artificial. Na rede social X, a parlamentar afirmou: “Quase 4 bilhões de dólares em verbas destinadas a projetos específicos ficaram sem uso em três anos. Isso é cobrar pedágio e não construir a estrada”.

Informações divulgadas pelo jornalista Hugo Alconada Mon indicam ainda que o SisVial transferiu 33 bilhões de pesos (cerca de US$ 22 milhões) para cinco províncias argentinas às vésperas de votações governistas no Congresso, como a reforma trabalhista e a Lei de Proteção das Geleiras, gerando acusações de uso político.

A deputada peronista Victoria Tolosa Paz solicitou investigação criminal sobre a conduta do ministro da Economia, Luis Caputo, e de outros membros da administração. Paralelamente, o juiz federal Ernesto Kreplak aceitou ação coletiva sobre o tema e fixou prazo de dez dias para que o Ministério da Economia, a Direção Nacional de Rodovias e o Banco Nación prestem esclarecimentos.

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