Apenas um partido tem maioria de candidatas mulheres nas eleições de 2026

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

Dados da Justiça Eleitoral apontam que somente uma das 30 legendas brasileiras conta com mais mulheres do que homens entre os nomes registrados para a disputa das eleições de 2026. A Unidade Popular (UP) reúne 53% de candidatas femininas entre os 188 postulantes escolhidos para concorrer a vagas nas Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados, Senado, governos estaduais e à Presidência da República. O quadro da legenda é composto por 100 mulheres e 88 homens, além de apresentar uma chapa presidencial integralmente feminina, com titular e vice.

No panorama nacional, a participação feminina atinge 35% do total de concorrentes em 2026, patamar ligeiramente superior aos 34% registrados em 2022. No total, são 7.134 registros femininos e 13.362 masculinos, somando 20.496 candidaturas. No extremo oposto da tabela, o PRTB tem a menor proporção de nomes femininos: 17%, com duas candidatas entre 12 indicados.

A legislação eleitoral estabelece que cada gênero deve preencher no mínimo 30% e no máximo 70% das candidaturas por legenda. Apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconhecer a ocorrência de fraudes no cumprimento da cota por meio de candidaturas fictícias, a Câmara dos Deputados aprovou anistia aos partidos pelo descumprimento da norma.

Além da UP, quatro partidos registram 40% ou mais de representação feminina: PCdoB (45%, com 65 mulheres entre 146 concorrentes), Cidadania (43%, com 63 entre 147), PSTU (40%, com 52 entre 129) e PSOL (40%, com 316 mulheres entre 789 registros).

Na corrida pelo Palácio do Planalto, a presença de mulheres caiu pela metade frente a 2022, passando de quatro para duas concorrentes na cabeça de chapa. Ao todo, sete mulheres integram candidaturas presidenciais, sendo cinco no posto de vice.

Para Hannah Maruci Aflalo, cientista política e pós-doutoranda no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), a verificação numérica nas chapas presidenciais reflete apenas uma fração do cenário. “É preciso olhar que presença essas mulheres estão tendo, que lugares ocupam e se essas chapas têm estrutura, recursos, exposição e apoio político”, afirma.

Luciana Santana, cientista política e professora da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), aponta que o quadro decorre tanto de entraves históricos quanto de fatores conjunturais, como a articulação de alianças e acordos estaduais. De acordo com a pesquisadora, a questão envolve todas as agremiações: “Esse padrão não pode ser explicado apenas pela disposição individual das mulheres para concorrer. Ele depende dos partidos, de como recrutam as candidaturas e distribuem os recursos financeiros e institucionais.”

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