O primeiro debate entre candidatos à Presidência da República, transmitido pela TV Band neste domingo, foi marcado pela ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do senador Flávio Bolsonaro (PL) e do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo). O encontro reuniu nos estúdios da emissora apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante).
Na abertura, os participantes criticaram a falta dos adversários, com foco nas ausências de Lula e de Flávio Bolsonaro. Renan Santos dirigiu suas primeiras declarações aos púlpitos vazios, afirmando que os dois concorrentes não compareceram para prestar esclarecimentos sobre escândalos. Ronaldo Caiado também lamentou a postura dos ausentes, declarando que a sociedade esperava a presença dos líderes nas pesquisas. Já Augusto Cury, que cogitou não entrar no estúdio em forma de protesto, mas decidiu participar após conversar com o jornalista Fernando Mitre, criticou a decisão do presidente Lula de conceder entrevista a outra emissora no mesmo horário.
Segurança pública e temas nacionais
Durante os blocos temáticos e de confronto direto, a segurança pública concentrou grande parte das discussões. Questionado por jornalistas, Renan Santos defendeu a declaração de estado de defesa e o emprego de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) em áreas dominadas por facções criminosas, além da criação de superpresídios e intervenção federal em estados que não cooperarem.
Ronaldo Caiado destacou medidas aplicadas durante sua gestão no governo de Goiás, como o endurecimento contra a violência doméstica, e defendeu a integração de órgãos públicos, inteligência artificial e o fortalecimento da autonomia dos governadores para combater organizações criminosas como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Escala de trabalho e política externa
A discussão sobre a proposta de fim da escala 6×1 revelou divergências entre os candidatos. Renan Santos posicionou-se contra a mudança na legislação, argumentando que a medida traria impactos negativos à economia e defendendo reformas para baratear contratações e reduzir tributos sobre a folha. Por outro lado, Augusto Cury manifestou apoio à transição para a escala 5×2, citando dados sobre estresse profissional e afirmando que o modelo pode elevar a qualidade de vida e a produtividade dos trabalhadores.
Nas relações internacionais, os candidatos avaliaram o cenário diplomático e comercial entre o Brasil e os Estados Unidos diante de recentes tarifas aplicadas pelo governo norte-americano. Cury propôs mediar o diálogo e ressaltou setores como agronegócio e energia renovável, enquanto Caiado criticou a condução da política externa pelo atual governo federal. Renan Santos também teceu críticas à relação do grupo bolsonarista com Donald Trump.
O debate havia sido remarcado do dia 16 de agosto para este domingo após sinalizações prévias de ausência do presidente Lula. Diante da confirmação do não comparecimento do petista e de Flávio Bolsonaro, Romeu Zema divulgou nota informando que também não participaria do encontro.