Pesquisa registrada no TSE mostra governador à frente em todos os recortes analisados; aprovação do governo chega a 63%
O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) aparece na liderança da corrida pelo Governo de São Paulo na nova pesquisa estadual registrada sob o número SP-01347/2026, divulgada nesta segunda-feira (24). O levantamento aponta vantagem expressiva do atual governador sobre o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) no cenário estimulado.
Realizada entre os dias 19 e 22 de agosto, a pesquisa ouviu 2.000 eleitores do Estado de São Paulo, com margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e índice de confiança de 95%.
No cenário estimulado apresentado aos entrevistados, Tarcísio registra 52% das intenções de voto, contra 35% de Fernando Haddad. Vivian Mendes (UP) aparece com 1%, enquanto outros candidatos somam 1%. Nulos e brancos representam 5% e 6% não souberam ou não responderam.
A diferença de 17 pontos percentuais coloca o governador em uma posição confortável neste momento da disputa. Mais do que a liderança isolada, o dado chama atenção porque Tarcísio supera Haddad com margem superior à margem de erro da pesquisa.
Vantagem também aparece na pesquisa espontânea
Quando os entrevistados não recebem uma lista de candidatos e são convidados a indicar espontaneamente em quem votariam, Tarcísio também aparece na frente.
O governador é citado por 21% dos eleitores, enquanto Haddad soma 9%. Guilherme Boulos e Simone Tebet aparecem com 1% cada. Outros nomes reúnem 3%, enquanto 7% dizem votar branco ou nulo.
O dado mais significativo, porém, está no contingente que ainda não definiu sua preferência: 58% dos entrevistados não souberam responder à pergunta espontânea.
Esse resultado indica que, apesar da vantagem de Tarcísio, uma parcela considerável do eleitorado ainda não transformou sua preferência em uma escolha consolidada. A campanha, portanto, ainda terá espaço para disputa, especialmente entre os eleitores que hoje não apresentam candidato de forma espontânea.
Tarcísio lidera entre diferentes perfis do eleitorado
A vantagem do governador não está concentrada em apenas um segmento demográfico. O levantamento mostra Tarcísio à frente de Haddad nos recortes de gênero e idade apresentados pela pesquisa.
Entre os homens, Tarcísio alcança 55%, contra 30% de Haddad. Entre as mulheres, o governador registra 49%, enquanto o petista chega a 39%.
A diferença também cresce entre os eleitores mais velhos. Na faixa de 16 a 34 anos, Tarcísio tem 52%, contra 37% de Haddad. Entre 35 e 59 anos, a vantagem sobe para 60% a 28%.
O recorte etário, portanto, apresenta uma característica importante: Haddad encontra seu melhor desempenho entre os mais jovens, mas ainda permanece atrás do governador.
Renda é um dos principais pontos de diferença
O comportamento eleitoral muda de maneira mais acentuada quando a amostra é dividida pela renda.
Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Haddad aparece numericamente à frente, com 46%, enquanto Tarcísio registra 42%.
Nos estratos de renda mais alta, entretanto, a vantagem do governador se amplia significativamente. Entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, Tarcísio chega a 62%, enquanto Haddad aparece com apenas 23%.
O resultado revela uma das principais vulnerabilidades do atual cenário para Tarcísio: a disputa entre os eleitores de menor renda. Ao mesmo tempo, mostra uma base bastante sólida do governador nos segmentos de maior poder aquisitivo.
Segundo turno: 54% a 36%
Quando a pesquisa apresenta um eventual segundo turno entre Tarcísio e Haddad, a vantagem permanece.
O governador aparece com 54% das intenções de voto, contra 36% do candidato petista. Nulos e brancos somam 5%, enquanto outros 5% não sabem ou não responderam.
A diferença de 18 pontos percentuais reforça que, no cenário testado, a liderança de Tarcísio não depende exclusivamente da presença de outros candidatos na disputa.
Aprovação ajuda a explicar a vantagem
Outro indicador relevante do levantamento é a avaliação do governo Tarcísio.
O governador tem 63% de aprovação, enquanto 34% desaprovam sua administração e 3% não souberam ou não responderam.
Na avaliação qualitativa, 42% classificam o governo como ótimo ou bom, 33% consideram regular e 24% avaliam a gestão como ruim ou péssima.
Há, portanto, uma diferença importante entre aprovação e avaliação positiva da qualidade da administração. Embora 63% aprovem o governo, apenas 42% o classificam como ótimo ou bom. Isso sugere a existência de um eleitorado que aprova a gestão, mas não necessariamente manifesta entusiasmo suficiente para classificá-la entre as melhores avaliações.
Rejeição coloca Haddad sob maior pressão
A pesquisa também mede a rejeição dos principais nomes. Fernando Haddad aparece com a maior taxa de rejeição: 38% dos entrevistados afirmam que não votariam nele.
Tarcísio registra 31% de rejeição, enquanto Policial Edjane tem 22%, Carlos Machado 21%, Izadora Dias e Vera Lúcia 20%, e Vivian Mendes 19%. Apenas 3% dizem que poderiam votar em todos os candidatos e 2% não sabem ou não responderam.
O dado é relevante porque mostra que, além de estar atrás nas intenções de voto, Haddad parte de um patamar de rejeição superior ao de Tarcísio.
Tarcísio também apresenta maior potencial de voto
Quando os eleitores são questionados sobre a possibilidade de votar em cada candidato, 35% afirmam que votariam com certeza em Tarcísio, enquanto outros 19% considerariam votar nele. Ao mesmo tempo, 42% dizem conhecê-lo e não votar nele.
No caso de Haddad, 24% afirmam que votariam com certeza, 27% considerariam votar e 45% dizem conhecê-lo e não votariam nele.
A combinação dos indicadores favorece Tarcísio: ele lidera nas intenções de voto, possui menor rejeição e apresenta uma parcela maior de eleitores que afirmam votar nele com certeza.
Disputa pelo Senado mostra cenário mais aberto
A pesquisa também testou a corrida para o Senado Federal. No primeiro cenário apresentado, Guilherme Derrite (PP) aparece com 18%, seguido por Simone Tebet (PSB), com 17%, André do Prado (PL), com 15%, Marina Silva (Rede), com 14%, e Salles (Novo), com 10%.
Os demais candidatos aparecem com percentuais menores, enquanto 8% indicam voto nulo ou branco e 9% não sabem ou não responderam.
Como a eleição para o Senado em 2026 permite dois votos para o eleitor, a pesquisa também apresenta uma consolidação dos primeiros e segundos votos. Nesse recorte, Derrite chega a 21%, Simone Tebet a 19%, Marina Silva a 16% e André do Prado a 14%.
O que a pesquisa revela sobre a eleição
Os números desenham, neste momento, um cenário claramente favorável a Tarcísio de Freitas. O governador aparece 17 pontos à frente de Haddad no primeiro turno e 18 pontos em um eventual segundo turno, além de liderar a pesquisa espontânea.
O conjunto dos indicadores também é relevante: Tarcísio possui maior intenção de voto, menor rejeição, maior percentual de voto considerado certo e aprovação de 63% da população pesquisada.
Isso não significa, entretanto, que a eleição esteja definida. A pesquisa espontânea mostra que 58% dos eleitores ainda não apresentam uma escolha quando não recebem nomes como referência, revelando um eleitorado potencialmente sujeito à movimentação da campanha.
O principal desafio de Tarcísio está em transformar sua atual vantagem em uma preferência efetivamente consolidada, especialmente entre eleitores de menor renda. Para Haddad, o desafio é ainda maior: reduzir a rejeição, ampliar seu desempenho fora de seu eleitorado mais favorável e, sobretudo, converter o atual nível de conhecimento em intenção efetiva de voto.
Com pouco mais de dois meses até a eleição, os números indicam que Tarcísio parte de uma posição de força, enquanto Haddad precisa produzir uma mudança relevante no quadro atual para transformar a disputa em uma corrida competitiva.
A fotografia desta pesquisa, portanto, é bastante clara: o governador lidera com folga, mas a elevada parcela de eleitores ainda sem voto espontâneo mostra que a eleição está longe de ser uma fotografia definitiva.