Pesquisa registrada no TSE mostra Flávio com 38% contra 33% de Lula no cenário estimulado; em eventual segundo turno, petista aparece à frente
Uma nova pesquisa presidencial realizada no estado de São Paulo mostra uma disputa acirrada entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT). O levantamento, registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-06537/2026, foi divulgado nesta segunda-feira (24) e coloca o senador na liderança do cenário estimulado, mas revela uma vantagem de Lula em uma eventual disputa de segundo turno.
A pesquisa ouviu 2.000 eleitores do estado de São Paulo entre os dias 19 e 22 de agosto, com margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Flávio aparece na frente no primeiro turno
No cenário estimulado, em que os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, Flávio Bolsonaro aparece com 38% das intenções de voto, seguido por Lula, com 33%.
Na sequência aparecem Renan Santos (Missão), com 7%; Pablo Marçal (PRTB), também com 7%; Ronaldo Caiado (PSD), com 4%; Zema (Novo), com 3%; e o escritor Augusto Cury (Avante), com 1%. Outros candidatos somam 1%, enquanto nulos e brancos representam 3% e 3% não souberam ou não responderam.
A vantagem de Flávio sobre Lula é de 5 pontos percentuais. Considerando a margem de erro de dois pontos, trata-se de uma liderança numericamente consistente, embora o intervalo estatístico mantenha a disputa relativamente próxima.
O resultado também chama atenção porque o levantamento foi realizado apenas alguns meses antes da eleição, em um estado que concentra uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro.
Na pesquisa espontânea, Lula recupera a liderança
Quando os entrevistados são questionados sem receber uma lista de candidatos, o cenário muda.
Lula aparece com 25%, enquanto Flávio Bolsonaro registra 22%. Renan Santos aparece com 3%, Ronaldo Caiado, Pablo Marçal e Tarcísio de Freitas têm 1% cada. Outros nomes somam 2%.
O percentual de eleitores que não sabem ou não responderam chega a 37%, enquanto 8% afirmam que votariam nulo ou branco.
A diferença entre os dois cenários é um dos pontos mais relevantes da pesquisa. Com os nomes apresentados, Flávio assume a liderança. Sem estímulo, Lula permanece à frente.
Isso indica que a disputa ainda apresenta um grau elevado de indefinição, sobretudo porque mais de um terço dos eleitores não consegue apontar espontaneamente um candidato.
Flávio lidera entre os homens, mas disputa fica empatada entre mulheres
O recorte por gênero revela uma diferença significativa no comportamento do eleitorado.
Entre os homens, Flávio Bolsonaro chega a 40%, contra 30% de Lula. Já entre as mulheres, os dois aparecem empatados em 36%.
O dado mostra que a vantagem geral de Flávio é impulsionada principalmente pelo eleitorado masculino. Entre as mulheres, por outro lado, o cenário é de equilíbrio absoluto entre os dois principais nomes.
Para uma eleição nacional, esse recorte é particularmente importante: ampliar a vantagem entre mulheres pode ser um dos principais caminhos para Lula recuperar terreno, enquanto Flávio precisaria transformar a atual liderança masculina em uma vantagem mais ampla no eleitorado feminino.
Eleitorado jovem favorece Flávio
Na faixa de 16 a 34 anos, Flávio Bolsonaro registra 40%, enquanto Lula aparece com 29%.
Já entre os eleitores de 35 a 59 anos, Flávio aparece com 33%, contra 39% de Lula. Entre os eleitores com 60 anos ou mais, os dois também apresentam vantagem para o petista, segundo os dados do levantamento.
O padrão sugere uma divisão geracional relevante: Flávio encontra seu principal ponto de força entre os eleitores mais jovens, enquanto Lula melhora seu desempenho à medida que a idade do eleitor aumenta.
Lula mantém vantagem entre eleitores de menor renda
O recorte econômico apresenta outra divisão importante.
Entre os eleitores que recebem até dois salários mínimos, Lula aparece com 43%, contra 34% de Flávio.
Na faixa intermediária de renda, o cenário se aproxima, enquanto entre os eleitores que recebem mais de cinco salários mínimos, Flávio amplia sua vantagem, chegando a 40% contra 27% de Lula.
A pesquisa, portanto, expõe uma clivagem econômica bastante clara: Lula mantém uma base mais forte entre os eleitores de menor renda, enquanto Flávio apresenta desempenho significativamente superior entre os estratos de renda mais alta.
Esse é um dos principais elementos estratégicos do levantamento. A capacidade de cada candidatura de avançar sobre o eleitorado do adversário será determinante para a consolidação de uma vantagem nacional.
Segundo turno vira o jogo
Se o primeiro turno apresenta Flávio na liderança, o eventual segundo turno entre os dois principais nomes mostra uma inversão.
Nesse cenário, Lula aparece com 49%, contra 44% de Flávio Bolsonaro. Nulos e brancos somam 3%, enquanto 4% não souberam ou não responderam.
A vantagem de Lula é de 5 pontos percentuais.
O resultado produz uma das principais conclusões da pesquisa: Flávio Bolsonaro lidera o primeiro turno, mas Lula demonstra maior capacidade de vencer uma disputa direta entre os dois.
Em outras palavras, o levantamento sugere que a vantagem do senador no primeiro turno ainda depende da fragmentação do campo eleitoral. Quando os eleitores são colocados diante de uma escolha binária, Lula consegue recuperar a dianteira.
Rejeição é o principal obstáculo de Lula — e também de Flávio
A pesquisa apresenta índices elevados de rejeição entre os dois principais candidatos.
Lula tem 51% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 49%. Ronaldo Caiado registra 37%, Pablo Marçal 36% e Zema 33%. Renan Santos também aparece com 33%.
O dado mostra uma disputa marcada pela forte polarização.
Mais da metade dos entrevistados rejeita Lula, enquanto praticamente metade rejeita Flávio. A existência de índices tão elevados de rejeição ajuda a explicar por que um candidato pode liderar o primeiro turno e, ao mesmo tempo, perder em um eventual confronto direto.
Para ambos, portanto, existe um limite importante de crescimento dentro dos respectivos eleitorados já consolidados.
Avaliação de Lula é majoritariamente negativa
A avaliação do governo Lula também aparece como um ponto de pressão para o presidente.
Segundo a pesquisa, 55% desaprovam o trabalho de Lula, enquanto 41% aprovam e 4% não sabem ou não responderam.
Na avaliação qualitativa, apenas 25% classificam o governo como ótimo ou bom. Outros 32% consideram a administração regular, enquanto 40% avaliam o governo como ruim ou péssimo.
O resultado cria uma aparente contradição eleitoral: Lula apresenta avaliação negativa do governo e elevada rejeição, mas ainda consegue liderar o segundo turno contra Flávio.
Isso indica que a força eleitoral do presidente não depende exclusivamente de uma avaliação positiva da própria administração, mas também da resistência que seu adversário enfrenta junto a segmentos do eleitorado.
A fotografia de São Paulo
Os números mostram uma eleição presidencial bastante particular em São Paulo.
Flávio Bolsonaro começa na frente no cenário estimulado, com 38% contra 33% de Lula, enquanto o petista lidera a pesquisa espontânea por 25% a 22%. No segundo turno, Lula recupera a vantagem e chega a 49%, contra 44% do senador.
O quadro é acompanhado por uma elevada rejeição dos dois principais nomes e por uma grande parcela de eleitores ainda sem uma preferência espontânea definida.
A pesquisa também evidencia uma divisão socioeconômica e geracional. Flávio se destaca entre homens, jovens e eleitores de maior renda; Lula apresenta desempenho mais forte entre mulheres, eleitores mais velhos e principalmente entre aqueles de menor renda.
O que está em jogo
A principal leitura do levantamento é que a liderança de Flávio Bolsonaro no primeiro turno ainda não se converteu em domínio sobre Lula.
O senador tem uma vantagem de cinco pontos quando os nomes são apresentados, mas perde por cinco pontos em um eventual segundo turno. Ao mesmo tempo, Lula possui uma rejeição ligeiramente maior e enfrenta uma avaliação negativa de seu governo.
A eleição, portanto, apresenta dois movimentos simultâneos: Flávio demonstra força para liderar uma disputa fragmentada, enquanto Lula mantém capacidade de concentração de votos quando o eleitor é colocado diante de uma escolha direta entre os dois.
Para Flávio, o desafio passa por ampliar sua presença entre mulheres e eleitores de menor renda e transformar sua vantagem no primeiro turno em uma maioria capaz de resistir à polarização do segundo turno.
Para Lula, o caminho passa pela recuperação de sua avaliação administrativa e pela redução da rejeição, especialmente porque seus atuais indicadores mostram que existe um teto importante para seu crescimento.
Com 37% dos eleitores sem resposta na pesquisa espontânea, ainda há um contingente significativo de votos a ser disputado. A pesquisa, portanto, não aponta uma eleição definida, mas registra uma disputa aberta e marcada por uma característica central: em São Paulo, Flávio Bolsonaro aparece hoje na frente para o primeiro turno, mas Lula ainda é quem leva vantagem quando a disputa se transforma em um confronto direto.