Inquérito no STF aponta que lobista relatou gastos de R$ 100 mil ao mês com Lulinha

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

A lobista Roberta Luchsinger afirmou em conversa com um empresário que desembolsava cerca de R$ 100 mil por mês para custear despesas de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O registro consta em um inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga se ambos atuaram para intermediar contratos na Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal.

Segundo os investigadores, as mensagens indicam que Roberta teria decidido interromper o pagamento de passagens aéreas em razão de atrasos no recebimento de repasses acordados. O diálogo, travado com o empresário Cléber Ribas em 25 de agosto de 2025, foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmado pela CNN.

De acordo com os autos, a conversa teve início com um áudio enviado pela lobista com questionamentos sobre pendências financeiras: “Bom dia, tudo bem? Deixa eu te falar, o Freitas paga quando? Aí será que ele não paga hoje não? Tem que pagar essa bosta dessas passagens pro Fabio, aí vai pagar com o dinheiro do Freitas, tá foda”. Em resposta, Ribas teria informado: “ele paga sempre dia 28, vou ver com ele aqui”.

Na sequência da troca de mensagens, Roberta descreve a conversa que teria tido com o filho do presidente: “Se cê souber o que que o outro disse, eu fui cortar o negócio né, daí eu falei ‘ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de 100 mil, então assim, não vai dar mais pra ter essas passagens né’, ele falou ‘ah, eu vou ficar pedindo pro Cleber e ro Checon’, eu ri pra caramba, eu falei ué, eu falei ué, boa sorte pra você”.

A Polícia Federal informou que segue com as apurações para identificar a pessoa mencionada como “Freitas” e esclarecer o contexto integral dos diálogos.

Manifestação das defesas

O advogado de Lulinha, Marco Aurélio de Carvalho, declarou que não é possível atestar a autenticidade dos registros. Em nota à CNN, afirmou: “O que podemos dizer é que, caso elas sejam verdadeiras, foram tiradas de contexto. Não há nada nos autos que possa sugerir que a Roberta gastava R$ 100 mil com Fábio. Não há nada nos autos. São inferências não conclusivas e irresponsáveis de setores da PF que seguem tentando interferir nas eleições de 2026”.

Já a defesa de Cléber Ribas criticou a divulgação de trechos descontextualizados e sustentou a regularidade das relações comerciais de suas empresas com a administração pública: “Os vazamentos de trechos selecionados das comunicações e de interpretações feitas a partir desses extratos, todos vagos e descontextualizados, impossibilitam a efetiva atividade defensiva. Reiteramos que os contratos celebrados com o Governo Federal foram firmados com a mais absoluta transparência, depois dos procedimentos administrativos previstos em lei e sem o favorecimento de quem quer que seja”.

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