Equipes de resgate se mobilizaram na fronteira entre o Nepal e o Tibete poucas horas após uma avalanche deixar centenas de mortos e desaparecidos. Autoridades locais e internacionais atuam no acolhimento de vítimas, mas especialistas apontam que as operações de busca enfrentam barreiras que tornam os trabalhos ainda mais complexos e extensos do que os registrados no desastre de Brumadinho, em Minas Gerais.
Para prestar assistência, o governo da China enviou militares e mais de 30 mil kits de emergência contendo barracas, fogões, roupas e itens de primeira necessidade para os desabrigados. Simultaneamente, Nepal e Índia divulgaram alertas para evacuar residentes de áreas consideradas de risco.
Janela de sobrevivência reduzida
Diferentemente de ocorrências de terremotos — em que os socorristas contam com uma janela média de até 72 horas para encontrar pessoas vivas em bolsões de ar —, a expectativa de vida sob deslizamentos é extremamente reduzida. Em soterramentos por lama e detritos, estruturas raramente mantêm vedação de ar.
De acordo com uma pesquisa publicada na revista científica Jama, que analisou ocorrências de avalanches na Suíça entre 1981 e 2020, as vítimas dispõem de 10 a 15 minutos antes de desenvolverem asfixia aguda. A privação crítica de oxigênio atinge níveis severos após os 10 primeiros minutos, e a localização de sobreviventes após dias é rara, concentrando-se na borda da área afetada. Além disso, a permanência a mais de seis metros de profundidade reduz drasticamente as chances de resgate a tempo.
Deslocamento e instabilidade do solo
A força da avalanche arrasta corpos, veículos, árvores e edificações por vários quilômetros, eliminando pontos de referência geográficos. Outro obstáculo é a segurança das próprias equipes: os trabalhos nas regiões mais críticas dependem da estabilização do terreno e da instalação de sistemas de alerta.
Enquanto o terreno em Brumadinho permaneceu relativamente estável após a tragédia, a região montanhosa do Himalaia segue sujeita às chuvas de monções até setembro. Sem vegetação após a passagem da lama, as encostas permanecem vulneráveis a novos desmoronamentos.
Infraestrutura destruída e lama compactada
A enxurrada também destruiu e arrastou diversas estradas de acesso aos vilarejos, o que força o uso de rotas alternativas para o envio de suprimentos e maquinário pesado. Conforme o material do deslizamento assenta, a lama compactada, misturada a rochas e troncos, dificulta escavações, acelera a degradação dos corpos e pode inviabilizar a recuperação física de parte dos restos mortais.