A coligação Brasil Pronto Pra Mais, que representa a campanha do presidente Lula (PT), acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um pedido de direito de resposta contra oito declarações feitas pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) durante entrevista na TV Globo na última sexta-feira (28). O documento afirma que as falas continham informações “falsas e gravemente descontextualizadas”.
A peça jurídica contesta manifestações do candidato sobre urnas eletrônicas, o sistema Pix, os atos de 8 de Janeiro, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, o salário mínimo, a homenagem prestada ao ex-policial Adriano da Nóbrega, a relação com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro.
No campo econômico e de relações exteriores, a defesa rebateu a acusação de que o Executivo não teria dialogado sobre as tarifas norte-americanas, destacando conversas conduzidas pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e integrantes do governo com representantes da administração Donald Trump. A petição contesta ainda a afirmação de perda de poder de compra do salário mínimo, afirmando que a gestão restabeleceu a política de reajustes acima do índice inflacionário.
A representação também contesta a fala que atribuiu a criação do Pix ao governo de Jair Bolsonaro e relembrou o episódio sobre a produção das urnas eletrônicas por uma empresa venezuelana, alegação que o próprio entrevistado reconheceu ser errada durante a sabatina. As narrativas sobre os atos antidemocráticos e os recursos para a obra cinematográfica também constam no pedido.
O TSE ainda não julgou o mérito da representação. A solicitação da campanha prevê que a resposta seja transmitida preferencialmente no mesmo telejornal em até 48 horas após eventual decisão judicial favorável, com tempo de exibição equivalente a pelo menos o dobro da duração dos trechos contestados.