PF aponta que Moraes alterou contrato de R$ 130 milhões com o Banco Master

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

Um relatório da Polícia Federal aponta que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), atuou na análise e edição de uma minuta de contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci. O sigilo de 52 mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Moraes foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do processo na corte.

As informações foram extraídas do celular de Vorcaro, apreendido pela PF com 4 terabytes de dados em 17 de novembro de 2025. O Banco Master já vinha sendo monitorado pelo Banco Central desde 2024 por problemas de liquidez e falhas de governança, até sofrer intervenção e liquidação em 18 de novembro de 2025.

Metadados e registros digitais

Conforme o relatório policial, em 11 de janeiro de 2024, Viviane Barci enviou a Daniel Vorcaro uma minuta de prestação de serviços. A perícia nos metadados do arquivo identificou como autor original Guilherme Benazzi, administrador da banca de advocacia, e apontou que a última modificação daquele dia havia sido feita pelo usuário identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

Após sugestões de revisão enviadas pelo advogado de Vorcaro, uma versão final retornou em 17 de janeiro. Segundo a PF, essa versão registrava a última alteração feita pelo mesmo usuário em 15 de janeiro de 2024, às 23h04. O documento definitivo, assinado em 23 de janeiro, estipulava 36 pagamentos mensais de R$ 3 milhões.

O documento da investigação inclui diálogos envolvendo cobranças e confirmações de transferências, incluindo repasses de R$ 3,42 milhões ao escritório e intermediações com menções a interlocutores feitas pelo ex-ministro Fábio Faria e assessores do banco.

Menção a segundo contrato

A PF também identificou tratativas de um segundo contrato, datado de 12 de maio de 2025, entre o escritório Barci de Moraes e a empresa Vikings Participações Ltda., representada por Daniel Vorcaro, no valor de até R$ 50 milhões por 36 meses. Uma das propostas de quitação previa a cessão de cotas de duas aeronaves e reembolso de despesas de uso.

Manifestações

O ministro Alexandre de Moraes não se manifestou sobre o teor do relatório.

Em nota oficial, o escritório Barci de Moraes confirmou que consultou o ministro sobre a proposta inicial, afirmando que o setor de compliance solicitou sua análise apenas para verificar eventuais impedimentos legais ou processos em trâmite no STF. A defesa sustentou que os serviços foram devidamente executados diante da ausência de impedimentos.

Quanto ao segundo contrato, o escritório afirmou que não assinou o acordo com a Vikings Participações, recusou os termos propostos e não recebeu cotas de aeronaves ou quaisquer outros ativos.

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