Pesquisa nacional do instituto Quaest divulgada nesta quarta-feira (2) aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança da corrida presidencial com 37% das intenções de voto no primeiro turno, seguido pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), com 29%. O escritor Augusto Cury (Avante) aparece em terceiro lugar, registrando 10% da preferência do eleitorado.
O levantamento foi contratado pela TV Globo e pelo jornal O Globo. Na sequência dos três primeiros colocados figuram Renan Santos (Missão), com 3%, Ronaldo Caiado (PSD), com 1%, e Romeu Zema (Novo), com 1%. De acordo com a pesquisa, o percentual de Cury permanece em 10% tanto na simulação com a inclusão de Pablo Marçal (PRTB) quanto no cenário sem ele.
Segundo o diretor da Quaest, Felipe Nunes, o crescimento de Cury decorre de sua penetração no eleitorado não polarizado. Entre os entrevistados que se declaram independentes, o candidato do Avante alcança 24%, à frente numericamente de Lula (23%) e de Flávio Bolsonaro (11%).
Espontânea e segundo turno
Na pesquisa espontânea, quando os nomes dos concorrentes não são apresentados, o total de eleitores indecisos recuou de 51% para 42%. Nesse recorte, Lula soma 28%, Flávio Bolsonaro registra 20% e Cury pontua com 4%.
Em uma eventual disputa de segundo turno entre os dois primeiros colocados, Lula aparece com 42% contra 41% de Flávio Bolsonaro, caracterizando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A diferença entre os concorrentes encolheu de três pontos, em meados de agosto, para um ponto no levantamento atual.
Rejeição e convicção do voto
A Quaest apontou que Flávio Bolsonaro lidera o índice de rejeição, com 55% dos entrevistados afirmando que não votariam nele sob nenhuma circunstância. Lula registra 53% de rejeição. Por outro lado, Cury tem taxa de rejeição de 25%, e o grupo que afirma conhecê-lo e votar nele subiu de 10% para 21%.
Quanto à certeza da escolha, 80% dos eleitores de Lula e 75% dos apoiadores de Flávio classificam a decisão como definitiva. Em contrapartida, 58% dos votantes de Caiado e 57% dos de Renan Santos declaram que ainda podem mudar de opção.
Avaliação do governo e investigações
A avaliação do trabalho do presidente Lula tem desaprovação mantida em 48%, enquanto a aprovação oscilou de 46% para 45%. Felipe Nunes associou as dificuldades do petista à percepção econômica da população sobre a renda e o custo de vida:
“No Brasil, o dilema do affordability permanece. Apenas 10% dos brasileiros percebem hoje um aumento de renda maior do que seu custo de vida. O resto, ou teve aumento de renda, mas não teve melhora no patamar de vida, ou viu sua renda estável ou menor. Nem o Desenrola e a isenção do imposto de renda mudaram essa percepção negativa.”
A pesquisa também mediu o reflexo de apurações em andamento sobre os candidatos. Para 65% dos entrevistados, investigações sobre suposto tráfico de influência envolvendo o filho do presidente prejudicam Lula (40% dizem que prejudica muito e 25%, um pouco). Da mesma forma, 64% dizem que o inquérito sobre o filme “Dark Horse”, que apura ligações entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, traz prejuízos ao senador (42% muito e 22% um pouco).
Por fim, 62% dos eleitores afirmaram ter pouco ou nenhum interesse no pleito presidencial, índice influenciado pelo perfil político dos cidadãos. Questionados sobre o critério central de escolha, 45% dos entrevistados disseram priorizar as propostas e o plano de governo.