O influenciador digital e especialista em aviação Lito Sousa morreu nesta quinta-feira (1º), aos 59 anos, na cidade de São Paulo. A informação foi confirmada por familiares e pelo Hospital Israelita Albert Einstein, onde ele estava internado. Lito deixa a esposa, Mila Seidl, e um filho de 7 anos.
Com mais de 36 anos de trajetória no setor aéreo, Lito atuou na manutenção e na segurança de aeronaves em companhias como Varig, Transbrasil e United Airlines antes de obter a habilitação de piloto, em 2021. Ele ganhou projeção nacional na internet ao criar o canal Aviões e Músicas no YouTube, plataforma em que acumulava mais de 4 milhões de inscritos ao lado de uma audiência de igual proporção no Instagram.
Nos últimos meses, o profissional enfrentou complicações de saúde que culminaram no diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ), uma patologia neurodegenerativa rara, progressiva e sem cura conhecida. Segundo dados do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 547 casos confirmados da condição entre 2005 e 2021, sendo 202 no estado de São Paulo.
Cronologia do tratamento e mobilização
Em julho, Lito revelou publicamente o diagnóstico prévio de câncer de próstata e um quadro de inflamação no sistema nervoso. Na ocasião, comparou seu processo de recuperação a uma parada técnica: “Todo avião, por mais bem projetado que seja, por mais bem cuidado que seja, em algum momento precisa parar para fazer uma manutenção. Não porque ele quebrou de vez, mas porque é assim que a gente evita o pior. A gente chama isso de check. Tem check A, tem check B, tem check C e tem o Heavy Check, aquele em que a aeronave sai de operação, entra no hangar e é praticamente desmontada para ser revisada por inteiro. E eu estou no meu heavy check”, afirmou.
No dia 21 de agosto, sua esposa informou que os exames haviam apontado a doença de Creutzfeldt-Jakob. A revelação motivou uma campanha para tentar incluí-lo em ensaios clínicos nos Estados Unidos, entre eles os estudos ION717, da Ionis Pharmaceuticals, e PRiSM, desenvolvido pelo Broad Institute (ligado a Harvard e ao MIT). O Ministério da Saúde, por intermédio do ministro Alexandre Padilha, chegou a formalizar um pedido de triagem, mas Lito não pôde ingressar nas pesquisas por falta de vagas e encerramento de recrutamento.
Diante da evolução do quadro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) concedeu, em 4 de setembro, autorização excepcional de uso compassivo para importar a substância experimental ALN-6457, desenvolvida pela farmacêutica Regeneron. O composto em fase pré-clínica foi transportado de Nova York e da Suíça até o Brasil em uma força-tarefa concluída na madrugada de 12 de setembro, envolvendo Anvisa, Receita Federal, Polícia Federal e transporte de helicóptero até o hospital.
Apesar dos esforços e da estabilização inicial relatada pela família em 14 de setembro, o influenciador não resistiu à gravidade da doença neurodegenerativa. Os detalhes sobre as cerimônias de despedida serão comunicados pelos familiares.