Nova pesquisa registra igualdade nas intenções de voto pela primeira vez desde o primeiro turno. Presidente avançou três pontos percentuais, enquanto senador recuou na mesma proporção. Rejeição elevada e eleitorado dividido mantêm a disputa aberta a nove dias da eleição.
A corrida presidencial chegou a um empate numérico. Pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta sexta-feira (16) mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) com exatamente 50% dos votos válidos cada um. O levantamento registra uma mudança em relação ao início do segundo turno, quando o candidato do PL aparecia seis pontos percentuais à frente do presidente.
A diferença desapareceu em apenas oito dias. Na pesquisa divulgada em 8 de outubro, Flávio tinha 53% dos votos válidos, contra 47% de Lula. Cinco dias depois, em 13 de outubro, a distância havia diminuído para 51% a 49%. Agora, os dois aparecem empatados pela primeira vez desde a votação de 4 de outubro.
A sequência representa uma oscilação de três pontos percentuais para cima nas intenções de voto em Lula e de três pontos para baixo nas de Flávio. Embora o movimento seja consistente nas três rodadas do instituto, cada levantamento possui sua própria margem de erro e não acompanha necessariamente os mesmos eleitores.
Quando são considerados todos os entrevistados, incluindo brancos, nulos e indecisos, o empate também aparece. Lula e Flávio registram 47% das intenções de voto cada um. Outros 4% afirmam que votarão em branco ou nulo, enquanto 2% ainda não sabem em quem votar.
O resultado ocorre nove dias antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro, e contrasta com o cenário observado imediatamente após a primeira votação. Naquela ocasião, Flávio terminou na frente, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.
A divulgação do resultado das urnas foi seguida por uma ampliação da diferença no primeiro levantamento do PoderData realizado depois do primeiro turno. Nas rodadas seguintes, entretanto, os números se aproximaram até chegar à igualdade registrada nesta sexta-feira.
A movimentação coincide com mudanças nas estratégias das campanhas. Lula intensificou sua presença nas ruas e nas redes sociais, ampliando a participação de parlamentares, artistas e apoiadores em eventos públicos. Flávio, por sua vez, concentrou parte dos primeiros dias do segundo turno em negociações de alianças políticas e articulações com lideranças partidárias.
O governo federal também colocou em destaque medidas econômicas e trabalhistas. Entre elas está o fim da escala de trabalho 6×1, aprovado pelo Congresso na quarta-feira (14), com apoio de parlamentares de diferentes partidos, incluindo o próprio Flávio Bolsonaro.
A proposta passou a ocupar espaço importante no discurso de Lula, que também anunciou nesta quinta-feira (15) a intenção de implantar transporte público urbano gratuito nos fins de semana caso seja reeleito.
Parte das entrevistas do PoderData foi realizada depois da aprovação da mudança na jornada de trabalho. Isso significa que o levantamento captou um período em que o assunto já estava no noticiário, mas não permite determinar se a medida provocou alterações nas intenções de voto.
A rejeição aos candidatos também mostra um eleitorado dividido. Segundo a pesquisa, 46% afirmam que não votariam em Lula de maneira alguma. No caso de Flávio Bolsonaro, o percentual é de 45%.
A rejeição ao presidente permanece no mesmo patamar registrado desde o primeiro turno. Já a do senador oscilou um ponto percentual para cima em relação ao levantamento anterior, quando estava em 44%.
Outro dado chama a atenção: 44% dos entrevistados dizem que Lula é o único candidato em quem votariam. Na pesquisa de três dias antes, esse grupo representava 42%. O crescimento de dois pontos indica uma oscilação positiva na proporção de eleitores que declaram preferência exclusiva pelo presidente.
Entre os diferentes segmentos do eleitorado, as intenções de voto continuam apresentando diferenças. Lula registra 55% entre as mulheres, contra 39% de Flávio. O senador, por sua vez, alcança 54% no Centro-Oeste e 57% no Sul.
A avaliação do governo também foi medida. Para 47% dos entrevistados, o trabalho de Lula é desaprovado, enquanto 46% declaram aprovação. Outros 7% não souberam responder. Em outra pergunta sobre a administração federal, a desaprovação chega a 49%, diante de 46% de aprovação.
Apesar do empate nas intenções de voto, a percepção dos eleitores sobre quem vencerá a eleição ainda apresenta diferença. Questionados sobre qual candidato acreditam que ganhará o segundo turno, 51% apontam Flávio Bolsonaro, enquanto 42% mencionam Lula. Essa pergunta mede a expectativa dos entrevistados, não uma previsão do instituto sobre o resultado eleitoral.
O levantamento também pode ser observado ao lado de outras pesquisas recentes. Na quinta-feira (15), o Datafolha apresentou Flávio com 51% dos votos válidos e Lula com 49%, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A Quaest também apontou empate técnico, com 46% das intenções totais de voto para Flávio e 44% para Lula.
Embora os institutos utilizem metodologias diferentes e seus resultados não sejam diretamente intercambiáveis, os levantamentos mostram diferenças pequenas entre os candidatos, sem uma vantagem estatisticamente definida.
A reta final da campanha terá novos eventos públicos e confrontos diretos. Flávio prepara uma manifestação na Avenida Paulista para domingo (18), data em que também está previsto o debate entre os presidenciáveis na Band. Lula, por sua vez, mantém uma agenda de mobilização política e divulgação de propostas.
O próximo debate poderá colocar frente a frente as posições dos candidatos sobre economia, segurança pública, políticas sociais e mudanças constitucionais, temas que ganharam espaço nas discussões da última semana.
A pesquisa PoderData/Aya entrevistou 3.000 eleitores por telefone entre 13 e 15 de outubro, em 644 municípios das 27 unidades da Federação. A margem de erro é de 1,8 ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos próprios do PoderData, em parceria de divulgação com o Aya Bancah, e registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-04258/2026.
Com apenas nove dias até a votação, a principal mudança registrada pelo instituto é a passagem de uma diferença de seis pontos percentuais para um empate de 50% a 50%. O resultado ainda não define o comportamento dos eleitores nas urnas, mas mostra que a distância observada no início do segundo turno não se mantém no levantamento mais recente.