Manifestações ocorreram neste domingo, horas antes do primeiro debate presidencial. Candidato do PL falou em receber a faixa das mãos de Jair Bolsonaro; movimentos favoráveis a Lula organizaram eventos culturais e caminhadas.
A disputa presidencial deixou os estúdios de televisão e ganhou as ruas neste domingo (18). Enquanto Flávio Bolsonaro (PL) reuniu apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, movimentos favoráveis à reeleição de Lula (PT) organizaram manifestações em diferentes cidades brasileiras.
Na capital paulista, o ato conhecido como “Bloquinho do 22” reuniu aproximadamente 71,9 mil pessoas no horário de maior concentração, segundo estimativa do Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e da organização More in Common.
O levantamento foi realizado por meio da análise de fotografias aéreas. Considerando a margem de erro de 12%, o público estimado ficou entre 63,3 mil e 80,5 mil participantes.
O número representa a concentração no horário de pico, às 12h20, e não a quantidade total de pessoas que passaram pelo local durante o evento.
A manifestação contou com a participação do governador Tarcísio de Freitas, do prefeito Ricardo Nunes e de parlamentares ligados ao bolsonarismo.
Durante seu discurso, Flávio criticou Lula e afirmou que levaria acusações contra o presidente ao debate da Band naquela noite.
O senador também declarou que gostaria de receber a faixa presidencial das mãos de Jair Bolsonaro caso seja eleito.
A manifestação de desejo não altera a situação jurídica do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar após condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado. Qualquer participação formal em uma cerimônia dependeria das condições judiciais aplicáveis.
Entre os participantes, apareceram cartazes contra ministros do Supremo Tribunal Federal e manifestações em defesa de medidas de anistia relacionadas aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023.
No Rio de Janeiro, o Ato Musical pela Democracia reuniu milhares de pessoas em Copacabana, apesar da chuva. A programação contou com artistas como Caetano Veloso e Chico Buarque, além de representantes de movimentos sociais.
Também houve mobilizações em Brasília, São Paulo e outras capitais.
Os eventos de apoio à reeleição de Lula tiveram formatos diferentes, incluindo apresentações musicais, caminhadas e manifestações públicas em defesa da democracia.
O presidente não compareceu pessoalmente às atividades deste domingo, concentrando sua agenda na preparação para o debate.
As manifestações mostram como as campanhas dependem não apenas da divulgação de propostas, mas também da capacidade de mobilizar pessoas presencialmente.
Entretanto, o tamanho de um ato não pode ser confundido com a intenção de voto da população.
Manifestações reúnem principalmente grupos com elevado interesse político e disposição para participar. Seus públicos não constituem amostras representativas do eleitorado brasileiro.
Também não é adequado comparar diretamente eventos que utilizaram metodologias de contagem diferentes.
A importância dessas mobilizações aparece especialmente diante da abstenção registrada no primeiro turno.
Milhões de brasileiros deixaram de votar em 4 de outubro, e as campanhas tentam incentivar a participação no segundo turno, marcado para o próximo domingo (25).
Os atos deste fim de semana não determinam o resultado eleitoral. Mostram, porém, que a disputa envolve uma intensa mobilização de apoiadores e uma tentativa de manter as candidaturas presentes no cotidiano dos eleitores durante a última semana da campanha.