O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino retirou o sigilo de decisões em um inquérito que apura a existência de uma suposta organização criminosa em órgãos públicos do Maranhão. A investigação também averigua suspeitas de obstrução de justiça por parte de integrantes da classe política.
As suspeitas envolvendo o senador Weverton Rocha (PDT-MA) começaram a partir da apreensão de seu aparelho celular em 2025, durante uma operação contra fraudes no INSS. Conforme a Polícia Federal (PF), os dados obtidos indicam tentativas de interferência nas investigações sobre o assassinato de um empresário em São Luís, ocorrido em agosto de 2022. O homicídio estaria ligado a desvios e propinas em contratos estaduais.
O executor confesso do crime, Gilbson Cutrim Soares Júnior, cumpre pena de 13 anos de prisão. Inicialmente tratado pela Polícia Civil como desentendimento pessoal, o caso passou a ser investigado como um desdobramento de disputas pela divisão de propinas. Segundo a PF, o esquema envolveria o grupo político do governador Carlos Brandão (MDB), apontado pelos investigadores como suposto líder da organização criminosa.
Em 2024, o processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) devido a indícios contra Daniel Brandão, sobrinho do governador e presidente do Tribunal de Contas do Maranhão (TCE-MA). No STJ, a relatoria coube ao ministro Humberto Martins, que determinou a ida do detento para a Penitenciária Federal de Brasília após alerta de riscos no estado. Martins não figura como investigado.
O caso seguiu para o STF em outubro de 2025. A PF identificou registros de diálogos e ligações entre o senador Weverton Rocha e o ministro Humberto Martins entre janeiro de 2023 e abril de 2025. De acordo com o relatório da PF citado na decisão, os contatos evidenciam proximidade pessoal e tratavam de processos sob relatoria do magistrado, incluindo registros de ligações na data em que a transferência do preso foi autorizada.
Outro investigado no caso é Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança e de Assuntos Legislativos do estado.
Em resposta, o senador Weverton Rocha negou envolvimento nas irregularidades. “Neste episódio eu era candidato a governador na eleição passada e nem parte do mesmo grupo eu fazia. Portanto, nada eu tenho a ver com essa situação. Sobre a minha relação com possíveis magistrados, todos do Congresso Nacional sabem que eu já fui relator de vários projetos, agora mesmo, na terça-feira, de um projeto importante, e que obviamente você sempre tem diálogo institucional dentro de gabinete. Por coincidência se acontecer alguma coisa num dia que ele esteve no meu gabinete, a gente conversou sobre isso, eu acho que é forçação de barra”, declarou o parlamentar.