Uma pesquisa realizada pelo instituto Ipsos apontou uma convergência entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro quanto à defesa de uma atuação estatal forte na economia. O levantamento revelou que 47% dos entrevistados desejam um Estado com capacidade para investir no desenvolvimento de longo prazo e orientar o crescimento econômico.
Conforme os dados, esse alinhamento ocorre tanto entre grupos que aprovam quanto entre os que desaprovam o atual governo federal, apesar de permanecerem em lados opostos no debate político. A aproximação foi identificada principalmente em temas como custo de vida, oferta de serviços públicos, proteção da economia nacional e desenvolvimento.
O professor do Instituto de Economia da Unicamp Marco Antonio Rocha, que colaborou na elaboração da pesquisa, explicou que os resultados evidenciam uma coincidência de visões para além das divisões ideológicas tradicionais. Em entrevista ao programa “Ponto de Vista”, da revista Veja, ele declarou: “Há uma certa convergência, a despeito da polarização política”.
Segundo a avaliação de Rocha, o cenário de dificuldades econômicas e a percepção de desigualdade levaram parte relevante da sociedade a demandar maior presença pública. Incertezas no cenário internacional também influenciam essa percepção pelo receio de variações de preços que afetem o orçamento das famílias.
O economista associou essa demanda a preocupações cotidianas, como os valores de combustíveis e tarifas de serviços públicos. “O eleitorado enxerga a necessidade de um Estado de certa forma forte”, afirmou Rocha, destacando a busca por um poder público “campeão em respeito ao povo”, capaz de estimular a geração de empregos e proteger a renda.