O governo dos Estados Unidos avalia a imposição de novas sanções contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, segundo informações divulgadas pelo jornal britânico Financial Times. De acordo com uma das fontes ouvidas pelo periódico, a “reimposição de medidas Magnitsky está em análise”.
A discussão ganhou força após Moraes autorizar operações de busca e apreensão contra o jornalista Luis Pablo Conceição Almeida, do Maranhão, e contra o ex-secretário de Estado Raimundo Cutrim, apontado como fonte do comunicador. A medida ocorreu após a veiculação de reportagens que apontavam suposto uso irregular de carros oficiais pelo ministro do STF Flávio Dino e parentes no Maranhão. Moraes alegou que as informações foram obtidas e difundidas ilegalmente.
Em decisão obtida pela CNN Brasil, Moraes afirmou que “há indícios relevantes de que o representado incorreu na prática do crime previsto no artigo 147-A do Código Penal (crime de perseguição), sem prejuízo de outras condutas eventualmente relacionadas, a partir de publicações realizadas na internet e em redes sociais, atentando contra ministro do Supremo Tribunal Federal”. O magistrado ressaltou também que as publicações indicam o uso de mecanismos estatais para identificar veículos, gerando exposição indevida à segurança das autoridades.
Aliados de Dino declararam à reportagem que o veículo particular do ministro estava sendo seguido e que não houve uso de frota oficial, alegando ainda que o jornalista cobraria R$ 100 mil pela veiculação do conteúdo. Procurado, Luis Pablo afirmou que nunca monitorou o automóvel de Dino ou de seus familiares, reiterou que o uso de carros oficiais é comprovado e negou ter recebido qualquer quantia financeira para realizar as publicações.
Conforme o histórico reportado, sanções anteriores haviam sido aplicadas a Moraes pelas autoridades norte-americanas sob a Lei Magnitsky em julho de 2025, sendo revogadas em dezembro daquele ano. O STF foi consultado e não emitiu posicionamento oficial até o fechamento da matéria.