Derrite e André do Prado avançam e direita ganha força na corrida pelo Senado em São Paulo

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Pesquisa mostra Guilherme Derrite à frente de Simone Tebet no cenário consolidado e André do Prado muito próximo de Marina Silva. Com a campanha em andamento e ainda sem o horário eleitoral gratuito, disputa pelas duas cadeiras começa a ganhar novos contornos

A corrida por duas cadeiras ao Senado por São Paulo começa a apresentar sinais de mudança com o avanço da campanha eleitoral. Pesquisa estadual registrada sob o número SP-01347/2026 do Instituto Real Time Big Data, divulgada nesta segunda-feira (24), mostra candidatos identificados com a direita ganhando espaço e se aproximando — ou até ultrapassando — nomes associados ao campo de centro e centro-esquerda.

O levantamento ouviu 2.000 eleitores entre os dias 19 e 22 de agosto, com margem de erro de dois pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

O principal movimento aparece na disputa entre Guilherme Derrite (PP) e Simone Tebet (PSB). No cenário que consolida o primeiro e o segundo voto e reduz os resultados para 100%, Derrite aparece com 21%, enquanto Tebet registra 19%.

A vantagem, embora estreita e dentro da margem de erro, chama atenção pelo significado político: o candidato do PP passa a ocupar a primeira colocação do cenário consolidado, deixando para trás uma adversária que, até aqui, aparece como um dos principais nomes do campo de centro na disputa paulista.

O dado ganha relevância porque a eleição para o Senado possui uma dinâmica diferente da disputa para outros cargos. Em 2026, o eleitor paulista poderá escolher dois candidatos para preencher as duas vagas em disputa. Por isso, a capacidade de um candidato aparecer tanto como primeira quanto como segunda opção pode ser decisiva na reta final.

André do Prado também entra no radar

Outro sinal de fortalecimento do campo da direita aparece na candidatura de André do Prado (PL).

No resultado consolidado, Prado soma 14%, enquanto Marina Silva (Rede) chega a 16%. A diferença de apenas dois pontos coloca o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo em uma posição de proximidade com a ex-ministra e mostra uma disputa muito mais apertada do que poderia sugerir uma leitura superficial dos números.

Quando se observa exclusivamente o primeiro voto, o movimento fica ainda mais expressivo: André do Prado aparece com 17%, contra 12% de Marina Silva.

Nesse recorte, o candidato do PL não apenas se aproxima, mas aparece numericamente à frente da candidata da Rede. O resultado reforça a percepção de que a campanha pode estar alterando gradualmente a distribuição de forças entre os candidatos.

Uma eleição que começa a mudar de desenho

Os números sugerem que a disputa pelo Senado paulista está longe de apresentar uma fotografia definitiva.

Derrite e André do Prado representam dois movimentos distintos dentro do mesmo campo político. Enquanto Derrite já aparece na liderança do cenário consolidado, André apresenta uma curva competitiva particularmente relevante quando analisado como primeira escolha do eleitor.

Ao mesmo tempo, Salles (Novo) aparece com 11% no cenário consolidado, ampliando a presença de candidatos ligados à direita entre os nomes mais competitivos. Juntos, Derrite, Salles e André do Prado somam 46% no levantamento consolidado — ainda que, naturalmente, não seja possível afirmar que todos os seus eleitores tenham o mesmo perfil político ou necessariamente migrem entre essas candidaturas.

O cenário também mostra que existe um eleitorado considerável ainda em aberto: 7% declararam voto nulo ou branco e 8% não souberam ou não responderam no cenário consolidado.

Campanha pode ser determinante

A pesquisa foi realizada entre 19 e 22 de agosto, poucos dias depois do início oficial da campanha eleitoral. Ou seja, os números ainda retratam uma corrida em fase inicial, na qual os candidatos começam a ampliar presença pública, organizar suas estruturas e apresentar suas candidaturas ao eleitorado.

É justamente nesse ponto que o desempenho dos nomes da direita chama atenção.

A campanha sequer entrou em sua fase de maior exposição no rádio e na televisão, e Derrite já aparece numericamente à frente de Tebet no cenário consolidado. André do Prado, por sua vez, já supera Marina Silva quando considerado o primeiro voto.

Isso não significa que a eleição esteja decidida — longe disso. As diferenças são pequenas, e a própria margem de erro recomenda cautela na interpretação dos movimentos. Mas os números revelam que a disputa pelas duas vagas está adquirindo um caráter mais competitivo e que candidatos do campo da direita começam a ocupar posições que podem colocá-los diretamente na briga pelas cadeiras.

A tendência mais relevante, portanto, não é apenas quem aparece na liderança hoje, mas a composição do pelotão que começa a se formar.

De um lado, nomes como Simone Tebet e Marina Silva entram na disputa com conhecimento público e trajetórias nacionais. Do outro, Derrite e André do Prado mostram capacidade de competir diretamente por votos no maior colégio eleitoral do país.

O fator Tarcísio

O ambiente político paulista também não pode ser ignorado nessa leitura.

A mesma pesquisa mostra o governador Tarcísio de Freitas com 52% das intenções de voto no cenário estimulado para o Governo de São Paulo, contra 35% de Fernando Haddad. No segundo turno simulado, Tarcísio aparece com 54%, contra 36% de Haddad.
Além disso, a avaliação do governador permanece positiva: 63% aprovam sua administração, enquanto 34% desaprovam.

Embora a pesquisa não permita estabelecer uma transferência automática de votos entre a disputa pelo governo e a eleição para o Senado, o ambiente político favorece uma leitura clara: o campo associado à direita chega ao início da campanha com um candidato ao governo amplamente competitivo e, simultaneamente, com três nomes entre os primeiros colocados na corrida pelas duas vagas ao Senado.

É nesse contexto que a disputa começa a ganhar outra dimensão.

A eleição para o Senado em São Paulo ainda está aberta. Mas a nova pesquisa mostra que a direita não chega à campanha apenas para participar da disputa: Derrite já ultrapassa Tebet no cenário consolidado, André do Prado encosta em Marina e a briga pelas duas cadeiras começa a ficar muito mais imprevisível.

E, com mais de um mês de campanha pela frente, os próximos movimentos podem transformar completamente o desenho atual.

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