Flávio diz que Bolsonaro não pediu cargo em eventual governo, mas evita descartar nomeação do pai

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Candidato do PL afirma que ex-presidente nunca discutiu participação em sua equipe e reserva a ele o papel de conselheiro. Em maio, porém, senador havia declarado que Jair poderia ocupar qualquer função que desejasse.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou nesta sexta-feira (16) que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, nunca pediu para ocupar um cargo em um eventual governo. Durante sabatina à TV Globo, o presidenciável declarou que pretende consultar o pai em decisões importantes, mas disse que sua participação formal na administração federal não está nos planos neste momento.

A declaração foi dada em resposta à jornalista Renata Lo Prete, que questionou qual seria o papel de Jair Bolsonaro caso Flávio vença o segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), marcado para 25 de outubro.

“O presidente Bolsonaro nunca tratou de cargo comigo, nunca sugeriu que gostaria de trabalhar no governo”, afirmou o candidato.

Flávio destacou que considera o pai uma referência política e que pretende aproveitar sua experiência na Presidência, cargo que Jair ocupou entre 2019 e 2022. Segundo o senador, essa relação não significa que haverá uma função oficial reservada ao ex-presidente.

“Tenho o privilégio de, na hora que eu precisar consultar um ex-presidente da República, ter um dentro de casa, de confiança”, declarou.

Questionado novamente sobre a possibilidade de nomeação, Flávio respondeu que o assunto “não está no radar”, mas não descartou expressamente uma indicação futura.

A posição apresentada nesta sexta-feira contrasta com o discurso adotado pelo próprio senador em maio. Durante entrevista à CNN Brasil, em 8 de maio, Flávio havia afirmado que Jair Bolsonaro poderia ocupar um cargo em sua administração caso manifestasse interesse.

“Se ele quiser exercer algum cargo no meu governo, é óbvio que ele vai exercer”, declarou naquela ocasião.

Na mesma entrevista, entretanto, o senador já dizia que não havia conversado diretamente com o pai sobre uma eventual nomeação. Portanto, a diferença entre as declarações está principalmente na disposição pública de oferecer uma função, e não na existência de negociações entre os dois.

O assunto também envolve a situação jurídica de Jair Bolsonaro. O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Atualmente, Bolsonaro cumpre prisão domiciliar humanitária, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes em razão de problemas de saúde. Qualquer possibilidade concreta de assumir uma função pública dependeria também das consequências jurídicas de sua condenação e das condições impostas pela Justiça.

Durante a sabatina, Flávio voltou a criticar o julgamento do pai, classificando a condenação como resultado de perseguição política. O candidato afirmou que considera o processo uma injustiça e atacou ministros do Supremo que participaram das decisões.

As declarações reproduzem a posição defendida pela família Bolsonaro, embora a condenação tenha sido estabelecida judicialmente.

A discussão sobre a composição de um possível governo também alcançou outro integrante da família. Perguntado sobre uma eventual indicação de Eduardo Bolsonaro para o Ministério das Relações Exteriores, Flávio respondeu de maneira categórica.

“Não, ele não vai ser meu chanceler”, afirmou.

Eduardo, que vive nos Estados Unidos desde 2025, chegou a ser mencionado por aliados como possível responsável pela diplomacia brasileira em uma futura administração do irmão. Flávio, porém, afastou essa possibilidade e defendeu a atuação política do ex-deputado no exterior.

O candidato classificou Eduardo como vítima de perseguição política e afirmou que o irmão tem denunciado o que considera abusos de autoridades brasileiras. Não informou, entretanto, se pretende oferecer a ele outra função no governo.

As declarações ocorreram durante uma entrevista em que Flávio também apresentou propostas econômicas, reafirmou compromissos com programas sociais e prometeu respeitar o resultado das eleições presidenciais.

O senador ainda defendeu o fim da reeleição para presidente da República e afirmou que pretende encaminhar ao Congresso uma proposta de emenda à Constituição sobre o assunto, incluindo restrições à sucessão por parentes de até terceiro grau.

Com a eleição se aproximando, as perguntas sobre Jair e Eduardo Bolsonaro evidenciam uma questão que acompanha a candidatura de Flávio: qual seria o espaço ocupado por sua família em uma eventual administração federal.

Por enquanto, o senador afirma que o pai não solicitou qualquer função, que Eduardo não comandará o Itamaraty e que caberá a ele próprio tomar as decisões de governo.

A possibilidade de participação formal de Jair Bolsonaro, entretanto, permanece sem uma resposta definitiva.

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