Gabinete de Netanyahu critica prefeito de Nova York por cogitar prisão do líder israelense

Redação
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Foto: Angela Weiss/AFP; Ronen Zvulun/Reuters

Declaração de Zohran Mamdani sobre TPI gera resposta de Israel.

O gabinete do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, emitiu uma nota oficial na noite deste domingo (19) para criticar veementemente o posicionamento do prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. A manifestação ocorreu após Mamdani ter declarado, em entrevista divulgada no sábado (18), que sua equipe estaria discutindo a possibilidade de prender o líder israelense durante uma eventual visita aos Estados Unidos. A potencial prisão seria considerada em meio à participação de Netanyahu na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), evento previsto para setembro.

A declaração de Mamdani, feita ao programa The Interview, do The New York Times, incluiu a afirmação de que ele acredita que o primeiro-ministro Netanyahu “deveria estar em Haia”. Haia é a sede do TPI (Tribunal Penal Internacional), que emitiu um mandado de prisão contra o líder israelense em novembro de 2024. O mandado se refere a supostos crimes de guerra e crimes contra a humanidade. É importante ressaltar que nem Israel nem os Estados Unidos são signatários do TPI, o que adiciona complexidade à discussão sobre a jurisdição do tribunal.

Em sua nota, publicada na rede social X, o gabinete israelense classificou o TPI como um “tribunal de fachada” que não possui jurisdição sobre americanos ou israelenses. A comunicação oficial alegou que o mandado de prisão contra o primeiro-ministro Netanyahu é “fraudulento” e foi emitido por um “ex-procurador do TPI, Karim Khan, que caiu em desgraça”. O gabinete argumentou ainda que a emissão do mandado ocorreu poucos dias antes de alegações de má conduta sexual contra Khan se tornarem públicas, sugerindo que foi uma “clara tentativa de Khan de desviar a atenção pública e buscar proteção contra o escrutínio”.

A nota do gabinete israelense também defendeu as ações de Israel, afirmando que, sob a liderança do primeiro-ministro Netanyahu, o país “tomou medidas sem precedentes em tempos de guerra para minimizar os danos a civis”. A defesa ressalta que essas ações ocorreram enquanto Israel enfrenta o Hamas, descrito como uma “organização terrorista genocida que usa palestinos como escudos humanos e ataca deliberadamente civis israelenses inocentes”. Além disso, o comunicado pontuou que Mamdani deveria se concentrar em “reparar os danos que suas políticas causaram a Nova York”, concluindo que, “assim como Karim Khan, Mamdani parece interessado em desviar a atenção pública de seus erros e atacar o líder do Estado judeu e da única democracia no Oriente Médio”.

A discussão sobre a possibilidade de prisão de Netanyahu não é um incidente isolado. Anteriormente, durante sua viagem para a Assembleia Geral de 2025, o voo do primeiro-ministro de Israel para os Estados Unidos fez um caminho alternativo. Essa manobra foi interpretada como uma aparente tentativa de evitar países signatários do TPI, que poderiam executar o mandado de prisão pendente contra ele. A controvérsia atual, envolvendo o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, e a forte resposta do gabinete israelense, sublinha a complexidade das relações internacionais e as tensões jurídicas e políticas em torno das ações do TPI e da posição de Israel.

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