Guerra no Oriente Médio chega a seis meses com reflexos na economia global

Redação
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O conflito iniciado em 28 de fevereiro, após ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, completou seis meses nesta sexta-feira (28). Os desdobramentos da crise ultrapassaram as fronteiras regionais e impactaram os mercados globais de energia, alimentação e investimentos, enquanto o prazo de 60 dias do Memorando de Entendimento para encerrar os confrontos se aproxima do fim em meio a impasses.

A imposição de restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz, via estratégica para o comércio internacional, afetou a produção e o escoamento de petróleo nos países do Golfo. Em abril, o barril de petróleo Brent ultrapassou a marca de US$ 120. O encarecimento atingiu derivados como querosene de aviação e diesel — este último também pressionado por ataques ucranianos a refinarias na Rússia, que reduziram a oferta mundial. No setor aéreo, o aumento na produção e nas exportações das refinarias norte-americanas conteve parte dos problemas de abastecimento, embora a chegada do inverno no Hemisfério Norte mantenha o alerta sobre a inflação energética.

Desempenho das bolsas e comportamento dos ativos

Apesar das oscilações no setor de energia, os mercados acionários globais mantiveram trajetória de alta. O índice mundial da MSCI, que engloba 47 nações, atingiu o recorde de US$ 105 trilhões no mês, registrando avanço de 9% (cerca de US$ 7 trilhões) desde o início do conflito, impulsionado principalmente pelo segmento de inteligência artificial.

Em contrapartida, os ativos tradicionalmente procurados para proteção apresentaram comportamentos divergentes. O dólar subiu cerca de 1,4% frente às principais moedas globais, enquanto os títulos do governo norte-americano acumularam desvalorização aproximada de 3,5%, influenciados por pressões inflacionárias e pela trajetória dos juros nos Estados Unidos. O ouro, após cair quase 25% até julho, recuperou mais de 15% no mês corrente.

No campo diplomático, as negociações enfrentam resistência política. O primeiro-ministro de Israel declarou que os governantes iranianos são “selvagens” e afirmou que “um acordo não pode ser alcançado”.

Pressão sobre alimentos e impacto regional

A cadeia de suprimentos agrícolas também sofreu impactos. As restrições em Ormuz prejudicaram o comércio de fertilizantes, agravando as dificuldades logísticas decorrentes da guerra na Ucrânia e os efeitos do fenômeno El Niño. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgados pela Reuters, os preços dos alimentos atingiram em julho a maior marca em mais de três anos. O JPMorgan estima que o El Niño possa adicionar cerca de 0,7 ponto percentual à inflação global de alimentos, com maior peso sobre nações da Ásia, África e América Latina.

Os países do Golfo figuram entre os mais afetados economicamente. As exportações da Arábia Saudita recuaram 10% entre o primeiro e o segundo trimestres. No Catar, projeções da Oxford Economics indicam retração de quase 30% na economia neste ano devido a danos nas instalações de gás de Ras Laffan. Os mercados acionários do Catar e dos Emirados Árabes Unidos registraram perdas de cerca de 14%, e as vendas de imóveis em Dubai caíram entre 70% e 80%, conforme estimativas do JPMorgan.

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