Irã alerta que nova guerra pode ser mais longa após declarações de Donald Trump

Redação
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Créditos/Reprodução Internet

O governo do Irã respondeu no domingo (1º) a declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em pronunciamentos feitos no sábado (31), Trump não descartou a execução de novas investidas militares para atingir instalações do país persa, incluindo a montanha Kolang, apontada como provável abrigo de uma estrutura nuclear subterrânea.

Segundo o porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, “uma nova guerra pode durar mais do que a anterior”. O militar rebateu a fala de Trump de que resolveria a situação em “dez minutos”. De acordo com Teerã, o chefe de Estado americano “não estaria em condições de ditar nem o momento nem as condições” para o término de uma eventual confrontação.

Localizada a cerca de 250 quilômetros ao sul de Teerã e próxima à central de enriquecimento de urânio de Natanz, a montanha Pickaxe — denominada Kooh Kolang pelas autoridades iranianas — é suspeita de abrigar um complexo atômico subterrâneo, segundo agências de inteligência norte-americanas. Trump já havia mencionado a intenção de bombardeá-la no fim de julho. O governo iraniano nega as acusações, sustenta que não busca produzir armamento atômico e defende a legitimidade do uso pacífico da energia nuclear.

Na semana passada, o presidente dos EUA citou uma “nova pequena Fúria Épica”, em menção à operação iniciada por Washington em 28 de fevereiro contra a República Islâmica. A ofensiva resultou na morte de diversos líderes locais, entre eles o líder supremo Ali Khamenei, além de deixar milhares de mortos civis ao longo de aproximadamente 40 dias de ataques aéreos coordenados por Israel e pelos Estados Unidos.

Após os bombardeios, as partes firmaram um cessar-fogo em abril e assinaram um protocolo de entendimento em 12 de junho. Apesar disso, os ataques voltaram a ocorrer, com ações iranianas contra parceiros de Washington da Jordânia ao Golfo. Embora a região registre estabilidade relativa desde setembro, analistas apontam o risco de uma nova investida militar após as eleições legislativas norte-americanas.

Em paralelo, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou ver uma “oportunidade histórica única” para “eliminar definitivamente a ameaça existencial” atribuída ao Irã, após as eleições legislativas israelenses.

Em reação, o líder supremo iraniano Mojtaba Khamenei, sucessor do pai desde março, advertiu que poderá haver “uma resposta imediata, poderosa e sem limites geográficos”. Em ordens às forças militares, determinou a ampliação dos alvos para contemplar “todos os tipos de ativos materiais e imateriais pertencentes ao inimigo americano-sionista”, o que inclui cabos submarinos, centros de dados e infraestruturas de inteligência artificial no estreito de Ormuz.

Enquanto isso, conversas diplomáticas mediadas pelo Catar permanecem em andamento. Teerã destacou uma “mudança de tom” em correspondência enviada pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance. Os Emirados Árabes Unidos também manifestaram apoio a saídas negociadas. “Não é do interesse da região viver um novo ciclo de confrontação. Mas, como já mostramos no passado, também estamos preparados para enfrentar o pior”, declarou Anwar Gargash, assessor diplomático da presidência dos Emirados, em evento realizado em Manama, no Bahrein.

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